Bem vindo

No mundo ficiticio de Gor muitas historias se desenrolam, essa é apenas uma, nos links de blogs ha historias de outros que tem seus caminhos cruzados e costurados pela agulha do destino, suas vidas contadas nas trilhas desse mundo brutal.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A Vergonha de Rive de Bois





        O Norte estava prestes a tornar-se um só. De Skerry of Var, até toda costa sul do Laurius. Kassau, Lydius, Cardonicus e Piedmont , haviam sido dobradas sob o peso dos machados Torvies. E Draco era o High Jarl, o grande Ubar de todo Norte. Eu o acompanhei nos campos, durante as batalhas, aguardando sob o seu colar, seu retorno seguro.  Cada Jarl de Torvaldslands o seguiu, trazendo seus comandantes, guerreiros, e armeiros. Uma legião de gigantes que ia a cada parada pilhando, matando e conquistando, realizando o sonho do Jarl em ter o Norte unido sob um único punho, o seu! Mas ainda faltava Rive de Bois, a última grande cidade na nascente do Laurius. Bastava ela para fechar a fronteira, a linha que delimitava os limites da grande Floresta do Norte.  Subimos o Laurius confiantes da vitória, uma massa de homens ferozes, confiantes , acostumados à vitória. Nada ficaria entre eles e a cidade.

        Mas Rive de Bois havia se preparado.  O inimigo havia sido observado e porque não dizer, espionado? Não era segredo dos intentos de Draco, a cada cidade que caia, deixava no povo de Rive de Bois a certeza que seriam os próximos. Eles nos esperavam com uma surpresa vinda dos céus. Uma batalha aérea para a qual não estávamos preparados. Thentis havia enviados reforços. Uma aliança fechada nas sombras da guerra para derrotar um inimigo comum. Como alcançar ferozes tarsman com machados e lanças, com flechas de arco curto? O que eram os gigantes, transformados em anões, pelas alturas? Perdemos , e cada Torvaldslander voltou com o gosto amargo da derrota aquele dia.

         Eu o esperava, pronta para entrar triunfante na cidade conquistada. Mas não havia lanças batendo contra escudo, horns não foram trocados, não havia a gritaria e agitação da vitória, apenas o pesado silencio, que eles carregavam nos rostos sujos de Sangue. Draco e seu exercito teriam que engolir aquela vergonha.

            Retornamos a Cardonicus, não havia o que fazer contra as fileiras aéreas de Tarsman. Ali, a liderança e o sonho de Draco começou a ser questionado por alguns Jarls cobiçosos, dos títulos e riquezas que Draco acumulara. A inveja e a ganancia flui nos homens como veneno no sangue. Mas só viríamos a saber disso depois. Por hora , a derrota , cegava e não nos permitia ver o inimigo mais próximo.

           Mas onde há adversidades, pode haver uma grande chance. E eu a vi, só precisava convencê-lo. E para alguém que acha que os deuses olham por ele, ser a voz dessas divindades, podia ser de grande valia.  Ele precisava de Tarsman para lutar aquela guerra de igual pra igual e quem sabe vence-la. Eu não ia permitir que ele desistisse. Primeiro que não o ajudaria em nada, voltar ao norte e sentar-se num trono onde ele amargaria aquele gosto para o resto da vida. Segundo que a derrota havia abalado a certeza de muitos jarls em seguir seu sonho, e por fim, em terceiro, era a chance de aproximar Draco de Ivar novamente. Como? E não tinha Ivar, muitos tarsman? Não era ele mesmo o melhor entre todos? Então eu menti. Disse que os deuses haviam falado comigo em sonho e apontado o caminho das areias, e que vi, a cidade cair , afogando-se nos sangue de Odin.

        Não me julgue por favor. Era necessário. Draco relutou em aceitar a ideia de pedir ajuda para o filho, mas a vontade de vencer , endossada p elos deuses, falou mais alto . E creio, que no seu intimido, ele também desejava rever o filho.  Só havia um único problema. Não podia ser ele a falar com o filho, ou pelos ânimos dos dois, uma guerra poderia surgir ali mesmo. Era fundamental que alguém intermediasse a aliança de pai e filho. Oras, quem melhor do que eu? É certo que a principio ele não concordou, mas depois, a razão falou mais alto.

      Você deve estar pensando que fui ardilosa e manipuladora, talvez, mas fui mãe. Era a única chance que se abria para a possibilidade de os unirem com um único objetivo, e tornar possível, pai e filho lutarem juntos, reforçaria os laços enfraquecidos pelos tempo e pela magoa.  Política, era também o principio que me regia. Eram dois homens difíceis, parecidos e com egos que precisavam ser amaciados. Por isso, Tobyr foi enviado na frente com presentes que eu mesma escolhi, o que causou certo ciúmes em Draco. Ordenei que um machado, digno dos deuses fosse feito para Ivar, ele precisava sentir-se respeitado em seu título e valor, mas, também não poderia perceber que o pai precisava dele, ou arrogância de Ivar colocaria tudo a perder. Teria tudo que parecer uma oportunidade para os dois, por ele ser digno aos olhos do pai e pelo pai reconhecer nele o valor , o respeito que Ivar sempre desejou, e para isso, quanto menos os dois falassem um com o outro seria melhor.  Eu sabia que o simples fato de ir ao encontro Ivar, seria visto por ele, como prova de que o pai estava cedendo e meu coração não via a hora de rever o meu filho.

                                                                            Lady   Kalandra
                                                                           High Jarl' Woman
                                                                             



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Reunião no Grande Salão



Estavam as duas diante do trono. Ambas tinham vindo na embarcação junto conosco. A primeira tinha o rosto altivo, o maxilar firme de quem traz muita força consigo, mas o olhar estava aflito. Eu podia ver o medo neles. O que ela temeria? Sempre há o que temer, quando se é mulher e se viaja sozinha. O cabelo negro estampava uma mecha tão branca quanto à neve nas montanhas. Mas ela era jovem e bonita.  Os trajes eram simples como os de uma camponesa e suas mãos se apertavam nervosamente, apesar de tentar transparecer calma eu podia sentir que em seu interior ela estava agitada como o mar em uma tempestade. Seu nome era Aer, uma healer, e acabava de prestar juramento de lealdade ao grande Jarl.

A outra estava em farrapos, cabelos desgrenhados, olhos inchados pelo choro e tinha as mãos amarradas. Era uma captura, adquirida de um ataque, mas ainda não tinha o colar. Apesar do estado, os modos e os gestos delicados e elegantes acusavam seu bom nascimento. Talvez filha de algum rico mercador do sul, o que poderia render um bom resgate, ou mesmo um preço mais elevado na venda como escrava. Draco as inqueria sobre quem eram e de onde vinham. Liane era o nome da segunda, e para espanto de todos, era filha de Cassius de Lydius, escriba na cidade que agora pertencia a Draco, estava sendo levada para o seu contrato em Rives-de-Bois quando sua embarcação foi ataca, e propunha ajudar o Jarl na conquista da cidade em troca de sua liberdade.

Um burburinho circulou o salão. Eu mesma não pude esconder minha surpresa. Draco ponderava sobre as alternativas. Como ela sabia de Rives-de-Bois?  Não era segredo ali dentro o próximo passo do Jarl na guerra, todos os livres tinham sido chamados e a reunião tinha essa finalidade também, acertarem os pontos para levantarem velas em direção à batalha. Rives –de – Bois tomada permitiria o controle total da floresta do norte e fecharia esse acesso para o norte. Logo os Jarls se manifestavam. Riam e pediam o colar para ela. A garota tentava manter a aparente coragem enquanto os protestos aumentavam no salão.

Foi à voz de Draco que silenciou o salão. Ele queria saber o quanto ela conhecia a cidade e se podia desenhar um mapa. Meus olhos foram na direção da outra mulher, Aer, que agora bebia do mead servido por Helga. Ela parecia aliviada com sua aceitação e entornava a bebida quase de um gole. Eu percebi o tremor de suas mãos enquanto ela sentava-se e focava sua atenção na cena que se desenrolava no salão. Eu tinha interesse nela.  Aer, a healer, dizia ter vivido entre o povo das areias. Se ela tinha estado no Tahari, talvez eu conseguisse alguma noticia de Ivar.

Liane gaguejou quando o mapa lhe foi pedido, percebi que ela buscava forças dentro de si para conseguir. Havia determinação naquela mulher. Apesar de ela garantir que poderia fazer o mapa, nem todos estavam convencidos da utilidade dela. Urgrim, um dos Jarls presente na sala, se opunha veementemente enquanto sua escrava Amora, parecia se estranhar com Helga. Ajuda de uma mulher para conseguir o que um homem deve conquistar pelo aço. Ele não era o único a ter essa opinião. O olhar de Draco cruzou o meu antes de informar Liane sobre a tomada de Lydius e dar seu veredicto.

Vi a garota vacilar e os olhos encherem-se de agua quando Draco falou da queda de Lydius. Ódio e dor foram o que pude ver no momento em que busquei os olhos dela.  O chão tinha sido tirado de seus pés.  Lydius pertencia ao inimigo, o destino do pai era incerto bem como o seu destino. Ela parecia prestes a desmaiar de tanta tensão, mas ainda se agarrava na esperança de conseguir sua liberdade ajudando os nortenhos.

Para Draco, a decisão já tinha sido tomada.  A mulher estava sob seus domínios, pertencia a ele. O colar por hora não seria colocado, como livre ela seria tratada e teria transito livre apenas dentro da vila, enquanto ele julgasse conveniente.  Caso ela tentasse fugir, poderia ser tomada por qualquer homem da vila, feita escrava ou mesma morta. Era a sua decisão final e foi eu mesma que a retirei daquele salão sob o pesado silencio que reinava nele. Ninguém ousaria ir contra as ordens do Jarl e ele deixava claro que tinha planos para ela. Tratei de providenciar trajes adequados à sua condição de livre e garantir que fosse alimentada.  

Algo naquelas duas mulheres me intrigava.  Quando ambas cruzaram o olhar, tive a vaga impressão de que já se conheciam.  E a healer, quando me olhava, era como se quisesse buscar algo na memoria. Teria ela já me visto? Saberia ela quem eu sou? Creio que ambas trazem seus segredos e que há muito mais sobre elas do que nos foi revelado no grande salão. Mas por hora, é na healer que esta meu interesse, talvez ela me de noticias de Ivar.  Devo encontrar uma maneira de me aproximar.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sessrumnir

A Partida


       Foram mãos e mãos de viagem, subindo o Laurius, serpenteando as margens das florestas do norte ate chegarmos ao nosso destino.  Eu estava na cabine de meu senhor quando ouvi o grito avisando que avistavam terra firme. Olhei pelas frestas tentando ver algo. Eu estava nua como era do desejo de Draco e me mantivera assim durante toda a viagem. Draco me manteve restrita aos seus aposentos, exigindo meu corpo e minhas curvas para o seu deleite. Quando se fazia necessário, eu deixava a cabine, vestida com trapos feitos de sacas de sa-tarna, emprestados de uma das escravas que partilhava o porão do navio. Eu era agora era uma escrava.                                       


          A partida de Lydius havia se dado em meio à noite. Draco não ousaria deixar Thassia sozinha naquela cidade que ocultava tantos inimigos à sombra. Deixei Lydius como a Jarl Woman, juntamente com minha filha e com algumas escravas embarcamos na serpente de Draco. Para o conhecimento de todos, o Hi Jarl, retornava à Tsiq-jula para deixar as mulheres em lugar seguro antes de partir para a guerra. 


      Foi antes de o navio aportar em Tsiq-Jula que a troca foi feita. Longe da vista e conhecimento de minha filha, fui despida e uma escrava tomou meu o lugar. Era Naala, uma jovem recém-adquirida, com estatura semelhante à minha e cabelos tão negros quanto o meu. O véu lhe cobria o rosto e os trajes de livre lhe conferiam a discrição necessária.  Minhas bagagens partiram com ela e me pergunto qual teria sido a reação de minha filha ao perceber o engodo. Sinto pena de Locke ao tentar responder às indagações de Thassia, mas tenho certeza ele não revelaria a verdade a ela. Ele cumpriria o prometido, informando apenas que a mãe partira para Ar a pedido de seu pai e caberia a ele, de agora em diante, mantê-la segura. Conhecendo o temperamento de minha filha, tenho certeza, não deve ter sido uma missão fácil. Assim, minha condição de escrava seria um segredo nosso e em nada afetaria a vida de Thassia ou a minha posteriormente.  No final daquela guerra seriam apenas o Hi Jarl e sua Jarl Woman retornando para casa. Era um plano perfeito, ou pelo menos imaginávamos que fosse.


Sessrumnir


       Ouvi a porta da cabine se abrir. Era Draco avisando que enfim tínhamos alcançado o nosso destino. Sessrumnir, um posto avançado nas florestas do norte, o primeiro ponto de partida para os ataques que os nortenhos pretendiam lançar para fechar qualquer acesso pelo Laurius ou pela floresta do norte. Vesti-me com os trapos que tinham me sido dados. Havia me esquecido o que era ser escrava, com o conforto e privilégios dispensados a uma lady, eu me vi desacostumada a trajes baratos, não fosse o estar junto dele com certeza não estaria satisfeita. Procurava não deixar que ele percebesse esses meus momentos de desconforto. Quis saber sobre o posto e o que me aguardava. Draco pacientemente me deixava a par. Segundo ele era um vilarejo seguro e protegido, onde passaríamos um tempo antes de levantar as velas.

           Alguns hábitos são difíceis de mudar. Ali entre as paredes da cabine, ele ainda me tinha como sua companheira. Mesmo o colar que meu pescoço ostentava, não conseguia afogar anos de uma vida em comum. Draco sempre foi um homem rigoroso e um mestre exigente, mesmo como sua companheira eu vivia sob a mais estrita disciplina e apesar da liberdade de minha posição, eu sempre soube o meu lugar.  Ali agora não era diferente. Mesmo rígido, meu senhor era generoso e só me cobrava à postura de escrava quando deixava a cabine. Ele não precisou me avisar, ou mesmo pautear as condições. Eu fui escrava tempo o suficiente para saber como devo me portar e não envergonha-lo. Mas foram muitos anos sem sentir o peso do colar, eu tinha que me adaptar.





           Eu percebia os olhos deles, verdes e profundo, indagadores, sempre buscando nos meus algum sinal de desagrado.  Eu sabia que em seu intimo, ele temia que eu desistisse da ideia, que não fosse feliz ou não me adaptasse novamente aquela vida.  Mas um mestre conhece sua escrava a fundo e Draco sabia me ler, nem que eu quisesse não conseguiria ocultar. Aprendi que certas coisas devem ser transparentes para que possam ser trabalhadas e a confiança deve ser plena, ou não há entrega completa.  E quando ele me perguntou o deixei saber que eu podia estar desacostumada, mas não arrependida, que para mim bastava estar com ele e que não me importava se era ao seu lado ou aos seus pés.

               Ali no convés, juntamente conosco eu pude ver a livre que tinha seguido viagem conosco, uma mulher que tinha sido capturada em uma das incursões de Draco pela floresta. Ele tinha a curiosidade em saber o que ela fazia naquelas terras, visto que ficava claro seu berço e sua origem no sul. Um phisycian e seu sobrinho também estavam em viagem conosco. Era um velho conhecido da mãe de Draco e com as recomendações dela, tinha o consentimento do Jarl do Norte para continuar suas pesquisas naquela região.




             Quando os portões do posto se abriram uma onde vozes em coro ovacionava a chegada do Grande Jarl. Os homens estavam no calor da batalha, era contagiante, a certeza que a guerra seria vencida e que todas as fronteiras do norte se fechariam tornando Torvaldslands soberana. Havia o orgulho estampado na face daqueles guerreiros e eu, me orgulhava dele. Descalça e presa à leash de Draco eu atravessei aquelas ruas. Mãos e braços tentavam toca-lo e a dificuldade de manter-me em seu encalço crescia. Os olhos dele me buscavam preocupados no meio da multidão que se formava. Eu o vi enrolar a corrente na mão e me puxar ate que meu corpo estivesse rente ao seu.  Pude notar a infinidade de olhos caírem em mim, tantos dos guerreiros que me observavam como uma bela peça a ser apreciada, quanto o olhar de algumas livres que o saudavam a uma distancia segura, todos avaliavam a escrava que tinha vindo com o Jarl.



              No grande salão destinado ao Jarl foi que pude respirar aliviada. Os gritos e burburinhos ficavam para trás. O fogo era estava aceso e logo passos vinham apressados saudar o senhor da casa. Eram as escravas do local, que me olhavam de soslaio enquanto reverenciavam o Jarl.  Previ problemas. Eu tinha me esquecido como o lugar de uma escrava é disputado. Eu era uma estranha ali. Elas eram as antigas da casa eu a novata que vinha com o Jarl e que deveria entender meu lugar.

          Entenda que existe uma competição, nem sempre velada, entre as escravas. Para elas, eu representava um possível obstáculo na conquista da preferencia do mestre. Provavelmente, na calada da noite ou em algum momento longe da vista do Jarl, eu levaria uma pequena surra para ficar ciente do meu lugar ali na casa e meus dias seriam um inferno ate que eu conquistasse o respeito de todas.  Existe uma hierarquia entre elas, geralmente definida pelo tempo de servidão na casa ou em decorrência da designação do Jarl.

          Draco como mestre era ciente dessa disputa interna. Os mestres em geral não se importam com isso, costumam se divertir com essa concorrência e não interferem, desde que, a garota não sofra danos maiores, é de crença geral que uma menina deve impor-se e lutar pelo seu lugar, isso a torna forte e digna. Mas o caso ali era um pouco diferente. Percebi que Draco não permitiria e tão pouco me relegaria a uma situação de humilhação ou risco, por menor que ele fosse. Draco tirou do cinto de mestre o seu chicote e o entregou a mim diante delas, deixando claro que ali, eu era a first e que a casa estava sob o meu comando.  Eu percebi o desagrado no olhar delas, mas sorriram e assentiram me dando as boas vindas. Provavelmente em seus íntimos indignavam-se com isso e pensavam em uma forma de lidar com a situação. Eu não era mais uma livre, mas o chicote me dava à vantagem, mesmo assim eu teria trabalho, deveria conquista-las e conseguir o respeito ou eu teria que dormir com os dois olhos abertos.


                                                                                             Kalandra - Slave Girl
                                                                                        Propriedade de Draco Hi Jarl 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O RECOMEÇO



O Se'var tinha passado e ele havia sido o mais rigoroso e solitário dentre todos. Frio  e tempestades de neve assolaram constantemente Tsirq-Jula. As águas congelaram formando brancos lagos de gelo, na costa, o gelo que se formava impedia os navios de chegarem e partirem e os portos se fecharam. As mulheres, crianças e velhos recolhiam-se   junto ao fogo de suas casas. Longe dali , os homens faziam a guerra.  Os dias transcorreram tortuosamente lentos. Eu tive a companhia de Thassia naqueles meses escuros, eramos apenas mulheres, como muitas, em volta do fogo. Draco pela primeira vez em anos não estava comigo. Foi solitário.

O En'var chegou e com o ele o degelo, a neve derreteu e abasteceu os rios e fontes e liberou o mar para a chegada de navios. Os portos de Tsirq-Jula novamente se abriam. Era uma espera constante pelo retorno dos homens. Entenda, ele partem com a chegada do En'var atrás de pilhagens e retornam para suas mulheres e famílias  no Se'var. Esse ano, durante o Se'var, não houve o riso alegre nas mesas do long, nem tão pouco o silencio das partidas de Kaissa, havia somente o estalar do fogo e a saudade que varria o coração de cada um. O En'var não era epoca de retorno dos barcos e todos se perguntavam se veríamos as velas negras dos Drakkars no horizonte.  A cada por do sol eu jovaga meu olhar na linha tênue que dividia o mar e o céu na esperança de avistar as serpentes de Draco. Me perguntava se o ressentimento que havia partido com ele, tinha  dissipado. Dele eu só tinha noticias que chegavam aos pedaços, cantadas por algum skald ou sussurradas  aos ouvidos de alguma bond durante a embriagues com mead. Eu exigia saber de cada uma das historias que  contavam sobre o Tarsk Negro. De como ele andava trazendo para si os aliados, de como ele enganou e roubou a filha de uma das maiores casas mercantes de Tyros e envergonhou o próprio Ubar daquelas terras  deixando seu sobrinho sem a pretendente. Foi com isso que passei meu inverno, apenas com histórias contadas.

Naquela noite, junto ao fogo do meu salão, Tobyr me deixava a par das novidades. Draco era vitorioso, aclamado e a guerra era eminente, a capital do seu novo império devia ser transferida para Lydius bem como toda a sua família , seus comandante e jarl de alto posto. E foi assim que eu deixei Tsirq- Jula, minha casa por mais de trinta anos.



Já estive em Lydius antes, mas dessa vez a cidade me parecia mais estranha do que nunca. Eu vi os olhares desconfiados daquela gente. Havia animosidade. Aquela gente,  outrora um povo livre agora eram dominados por Torvaldslanders. Nâo me senti a vontade. Haviam guardas pelas ruas vigiando e controlando. Imaginei quantas sombras deviam agora espreitar os becos e vielas, sussurrando e conspirando, definitivamente não me sentia segura ali.

Acomodaram-me no que seria minha nova casa. As escravas mais antigas tinham vindo comigo e algumas  recentes capturas de Draco eram trazidas para me servir. Tentei transformar aquele lugar de pedra em meu novo lar. Thássia era a mais empolgada, divisava inúmeras possibilidades para seus estudos como Physycian, ficou encantada com  as novidades que surgiam em cada esquina, com a quantidade de produtos e ervas raras, vindas de todo canto de gor e  que podiam ser encontradas nos portos de Lydius . Para ela a cidade cheirava a liberdade e a civilidade, mas eu ainda não estava muito convencida disso.
Eu ainda não tinha encontrado Draco. Ele ainda não havia retornado com suas serpentes. Já se passavam duas mãos que eu aguardava seu retorno para o que seria o nosso novo lar.

Foi no meio da manha que os horns tocaram. Era o som mais doce que meu coração podia ouvir. Fiz como sempre fazia, desci em correria  as ruas daquela cidade em direção ao porto. Atrás de mim, uma leva de guerreiros desorientados e furiosos. Nâo me importava se ali não era Tsirq-Jula, se os guardas tinham ordens de manter-me segura, não importava quem eu era. Corri abrindo  passagem entre mercadores, homens suados e sujos, disputando espaço com as escravas das docas e bonds saudosas de seus Jarls, ignorando o olhar de  mulheres livres que recuavam o passo indignadas , me misturando as crianças que se apinhavam para ver os navios. E quando o vi, foi como se o tempo tivesse parado e o Se'var jamais tivesse existido.








Eu tinha o rosto iluminado pelo maior dos sorrisos quando adentramos o que seria nosso novo salão. A barba cobria  o bonito rosto do meu companheiro. Estava sujo , castigado pelo mar e pela viagem, corri os olhos e as mãos por seu corpo atrás de indícios que garantisse que ele estava bem. Ordenei às escravas que levassem paga, comida e preparassem a água do banho de meu senhor. No quarto ele me dava a noticia. Dois dias era o que poderia ficar antes de seguir os planos. Dois dias!!! Era muito pouco. Tentei dissuadi-lo, implorei para que adiasse a partida. Mas os homens estavam no calor da guerra, haviam dezenas de Jarls que haviam abandonado suas vilas e o seguido. Guerra, sangue dos inimigos, todos ansiavam por isso e ele não poderia prende-los ali por capricho de sua mulher. Tive vontade de gritar o quão injusto isso era, que para mim ele não precisava ser o Jarl dos Jarl, que não tinha que ser o Senhor do Norte e sim apenas meu homem e que eu já tinha passado um Se'var inteiro esperando por ele. Que todos voltassem as suas vilas e suas mulheres que deixassem a guerra,todos seriam mais  felizes! Mas são argumentos vagos nos ouvidos de um guerreiro. Ele me tomou sentindo toda  minha dor. Vi em seus olhos que aquilo também não o agradava.

Deixei minha impotência ser acalentada por seus braços, minhas lagrimas enxutas por seus beijos e meu corpo aquecido por ele. Ele me consolava enquanto me despia, enquanto tomava meu seio entre caricias de suas mãos , enquanto varria minha intimidade com seus toques arrancando de mim suspiros, gemidos, exigindo a minha entrega. Havia um modo, ele me dizia enquanto me exigia inteira. Uma ideia que ele vinha amadurecendo a meses. Também não o agradava a distancia, mas como levar com ele a Jarl Woman? Não. Não se pode levar uma mulher livre a guerra, mas uma escrava.... Aquilo me deixou confusa, mas minha mente rodava , arrebatada pelo prazer que ele me dava. Me possuía , encaixando-se dentro de mim com fúria e urgência. Ele não  me queria longe dos seus olhos, ele me queria ao seu lado, cuidando dele, aquecendo seu corpo cada vez que voltasse das batalhas. Ele me  manteria segura em seu colar.

Colar?!?! Como era antes, no principio? Escrava? Fiquei confusa e tentada devo admitir. Não era uma questão de prezar a posição que eu tinha ao seu lado como Jarl Woman, não , isso nunca importou para mim. Mas sim o que aquilo implicava. Eu tinha meus filhos e foi neles que pensei, na vergonha de ter a mãe feita escrava novamente, na perda do direito de ser mãe, mas estar com ele como no inicio me seduzia. Ele insistia na ideia. Seria pelo tempo da guerra,  ele não sabia quanto tempo teria que estar longe em guerra e dessa forma, me teria ao seu lado, depois, ele me prometia, retornaríamos a Tsirq -Jula, o colar seria arrancado, teriamos  mais filhos e todo o resto da vida para nós. E foi assim, tendo ele entre minhas pernas com os meus sentidos roubados pelo prazer que eu aceitei

- Sim.,- gemendo eu gritei. - Eu aceito o seu colar!


                                          Lady Kalandra de Draco de  Tsirq - Jula
                                                         Hy Jarl Woman






terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Assembléia do Norte





A impressão que tenho é que  Hella abriu as portas de seu reino e soprou o vento gelado da discórdia sobre nós. Draco me perguntou por Honey, uma escrava que ele havia adquirido em Lydius em umas de suas viagens.  Ele tinha pago uma pequena fortuna pela Bond para que seus homens pudessem degustar do gosto doce da menina. A questão é que não me agradava da Bond, e menos ainda dela sempre se insinuando a Draco daquela forma. Teve a ousadia de pular para o colo dele em minha presença, durante uma de nossas refeições no long hall.  A Bond nada significava, pelo menos eram palavras deles e se nada significava porque não vende-la quando a ocasião surgiu? Não iria ter outra Aleera entalada na minha garganta disputando os olhares dele. Quintus o mercador , foi a ele que vendi a bondmaid e sinceramente, não me interessa para onde ele a mandou. Mas Draco não se agradou, disse-me que eu não tinha o direito de dispor de seus trofeis. Oras, ela não era um troféu, era uma Bond que servia na taverna e que segundo ele nada significava. Então porque? Por qual cargas d’agua ele se iritou tanto? A ponto de me ignorar, de me relegar a condição infeliz de ser somente a companheira e não sua preferida, de dizer que nossa relação nada mais seria do que um mero contrato de companheirismo, e que ele me teria apenas como alguém que ocupa a cadeira ao  seu lado e que é mãe de seus filhos.

Tem a ideia do que foi ouvir isso da boca dele? Cai ao chão, de joelhos dobrados implorando para que ele não fizesse isso comigo. Só recebi dele o olhar frio como aço. As paredes do quarto foram levantadas dividindo os aposentos, sequer dormiria comigo, sequer aceitaria que eu como lady cuidasse dele, aquilo agora seria relegado as escravas. Sempre tive prazer em servi-lo, em cuidar pessoalmente de cada coisa que dissesse respeito a ele. Não o fazia por obrigação, minha condição de companheira me eximia disso, o fazia por amor e devoção. O mesmo amor que me rouba energia e vida, que me faz sangrar e perder-me em dor cada vez que ele é ferido , apenas para ter a certeza que o terei de volta são e salvo.  O servi incondicionalmente, dei-lhe filhos, dei-lhe meu corpo, minha alma, cuidei de sua casa, de seus negócios, honrei seu nome e sangrei por sua vida e agora ele faz isso e porque? Porque vendi uma de suas bonds.  Sei que estou cheia de magoas e de  um medo terrível de que ele não me ame mais , tento concertar as coisas, mas não consigo mais olhar para ele sem uma rusga de rancor.  Aceitei. Não tinha escolha, é ele o senhor dessa casa, eu sou apenas uma mulher e  sei que se ele bem quisesse se quer me permitiria continuar naquela casa. Chega a ser hilário, no fim ter que admitir que ele ainda foi generoso.

Os Jarls e seus homens ainda continuam acampados em nossas terras. A vitoria dos Torvaldslanders, a unificação do norte trazia agora suas consequências. Os navios não subiam. Os portos de Tsiq- jula, Lydius e Kassau não recebiam mais tantas das mercadorias que vinham do sul e que eram imprencidivieis para nossa subsistência.  Durante a guerra , vi o fluxo de barcos mercantis diminuir, mas nada mais natural, estávamos em guerra, os produtos tinham seus preços elevados, mas os riscos de levar a mercadoria para uma área de conflito também subiam A guerra tinha acabado, ou pelo menos era o que parecia e o Jarls agora se preocupavam em ter a madeira para consertar seus navios, os grãos para alimentar suas vilas,e o aço para garantir suas fronteiras, afinal, não foi somente uma temporada de pilhagens e sim de guerra e a guerras sempre são muito caras.

Todo o norte fechado, imaginei quantos inimigos mais em toda Gor , agora compiravam contra Draco.  Foi Tobyr que trouxe as noticias que deram a solução para os nortenhos. Tyros fortalecia uma aliança entre as suas duas cidades, provavelmente com intuito de atacar Cos, ou de se unir a ela e derrubar Port kar. Era ali naquele  triangulo caótico de piratas e regido pelas leis mercantis que os barcos paravam. Cos, era inimiga de Ar, Port kar  e da própria Tyros seu vizinho.  Tyros aliado de qualquer um que lutasse contra Cos , mas pactuava do ódio eterno por Port Kar e por vezes se unia a Tyros em ataques a Joia do Thassa. Port kar por sua vez dominava a costa e todo o delta do vosk, mas apesar dos conflitos, era para aqueles portos que os navios revertiam e dali subiam carregados para o norte. Agora isso não acontecia.  A aliança entre as cidade de Tyros seria feita atravez do contrato de companherismo entre a filha de Darum de Kasra com Marlus de Telleniun , primo do próprio Ubar Shembar de Tyros. Foi ali que Draco viu a possibilidade de resolver os problemas que os Torvalds agoram tinham.

Numa assembleia como aquela , apenas os jarls e seus comandantes faziam parte, as bonds eram as únicas que entravam e saiam com total liberdade do salão, servindo o mead e a carne. Mesmo eu, a High Jarl Woman não seria bem vinda ali. Mas da servery eu escutava tudo enquanto coordenava o servir daqueles homens poderosos. Ouvi quando Draco disse que roubariam a noiva, moeda dessa aliança, haviam duas possibilidades: a primeira seria negociar a menina com Cos em troca dos portos livres e conquistar Tyros, a segunda e mais interessante, seria Cos levar a culpa do sequestro e enquanto eles fizessem a guerra, Draco tomaria aliança com Port kar e conquistariam Cos e Tyros para dividi-las depois.  Fosse o que fosse, a decisão de içarem as velas novamente estava tomada. Restava formular o plano para a captura da garota.  Eu entendia a necessidade de liberar os portos, mas ele partir novamente, com o se'var as portas não me agradava. Ele poderia se demorar mais do que previsto e os caminhos poderiam se fechar.  O inverno era a unica epoca do ano que eu o tinha comigo, não estava disposta a abrir mão disso também.

                                                   
                                                        Lady Kalandra de Draco de Tsi-Jula
                                                                    High Jar Woman

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MEMORIAS





Há tempos que não risco essas paginas amareladas para deixar aqui o registro de minhas memórias.Talvez seja pela dor, pelo incomodo , pela vergonha ou mesmo pelo sabor doce de algumas lembranças Eu sou Kalandra de Draco de Tsiq-Jula e acho que sempre o serei. Ha um ano atras minha vida tomou cursos diferentes do que eu imaginava. Ate hoje tento entender o porque das surpresas e provações que os Deuses guardaram para mim.

Desde que voltamos do Tahari nossas vidas ja não são as mesmas. Thassia ainda mora conosco cuidando dos doentes e feridos da vila do pai. Recusa-se a casar e o pai não parece tentando por hora força-la a tal. Nunca mais a ouvir mencionar o desejo de sair daqui ou tão pouco de ir ter com seu irmão Ivar, mas duvido que ela , assim como eu o tenha esquecido. Ivar,  meu filho declarado morto , enterrado simbolicamente pelo meu companheiro, com direito a piras, funerais e preces para que se junte a Odim. O pai não o perdoa e ainda vivo sobre a ordem de esquece-lo. Como poderia?

Draco tem vivido em pilhagens. Meses fora no mar, saqueando e construindo sua fortuna, talvez para esquecer as escolhas que se viu obrigado a fazer. Desde a ultima feira da coisa que ele agora não é somente conhecido como o Tarsk Negro, mas sim como o High Jarl do Norte. Uma aliança traçada entre os Jarls, selada com amas e promessas de unir o norte, de tomar toda e qualquer cidade que fique no caminho dos Torvies, de controlar o comercio em Lydius, restringir o acesso ao norte e colocar a qualquer preço a soberania nortenha. No meu intimo acho que ele tenta de alguma forma superar Ivar e suas conquistas.

 Enquanto isso, eu sou deixada para traz como toda mulher. Cuidando dos interesses de meu companheiro, garantindo que a vila continue sua rotina, que os portos não fechem para a chegada dos barcos mercantes, negociando e cuidando de tudo que é de nossa familia e de nossa gente. Vivendo na solidão da minha lareira, do choro das mulheres a reclamar infindavelmente de suas vidas e da falta de seus homens.  Eu nunca pedi para ser o que sou e as vezes me pergunto se é justo o preço pago por isso. Mas ha sempre a responsabilidade que a vida nos impões.

Mesmo proibido de colocar os pés em Tsiq -Jula, meu filho veio me ver. Numa estranha coincidencia, justamente quando as velas do meu esposo sumiam no horizonte, recebi a visita de Ivar. È claro que não com o rosto a mostra, mas sob o disfarce de uma lady parenta de um dos homenbs de Draco.  Houve a supresa, a alegria de rever o meu filho e o medo de que ele fosse descoberto. Mas algo mais grave aconteceu, a macula na relação pura que tinha com meu filho. Naquela noite , quando ele retirou o veu e mostrou seu rosto a mim, eu pensei que explodiria de tanta feliciadade. Ele havia sido arrancado de mim, e ainda me lembrava dos olhos dele a me indagar da decisão que o tomava e em meu coração pude ouvir o choro dele naquele dia. Mas ele ali, diante de mim com o sorriso aberto eu tive certeza que ele me perdoara.  E como mae, me pus a cuidar de minha criança.

 O tomei em cuidados e carinhos, em beijos e abraços. No extase de te-lo ali, no som de sua risadas, nas historias que ele me contava, no puxa-lo para o meu colo foi que tudo aconteceu. A boca que tomava a minha face, desceu ao pescoço, ao colo e abocanhou meu seio. Terna eu o puxei para mim, com aquele sentimento que uma mae tem em aconchegar e suprir o filho. Não houve maldade, houve amor. E quando dei por mim, as caricias de meu filho eram caricias de  homem e meu corpo se inflamava. Tentei afasta-lo , mas ja me encontrava impotente em seus braços, a boca dele exigia a minha, seu corpo mostrava a urgencia do meu. Vi meu fogo escravo desperto por ele e fui tomada em posse como so uma mulher o pode ser por um homem.  E durante a noite ele me procurou e me tomou por muitas vezes, ate cair exausto na cama ao meu lado. E foi assim durante todas as noites de sua estadia em Tsiq-Jula.

Ele partiu, deixando a saudade no meu peito. Draco retornou de suas pilhagens bem antes do que costumava retornar. A feira da coisa foi marcada. Ele voltava com planos e os queria por em pratica. Haviam se passados meses desde a visita de Ivar e não esperava reve-lo tão cedo. Logo os caminhos se fechariam com o gelo, o mar congelaria e qualquer acesso a Tsiq Jula seria impossivel. Mas qual foi a minha surpresa , quando no meio da comitiva de Gaius de Ar, amigo de Draco e mentor de meu filho, que ouvi a voz conhecida e o rosto que se desnudava desafiante ao olhos de meu marido. Ivar em pessoa estava la.

Pai e filho se pegaram   e rolaram no chão para meu desespero. Sangue escorreu dos dois e o ferimento de Draco , para espantos de todos, não fechou como de costume. Contra seu proprio sangue não havia nada que meu feitiço pude fazer. Ivar vinha com o salvo conduto de ser o pretendente a mão de Ahleena , filha de Gaius e Nidia, a palavra de Draço tinha sido empenhada e a segurança de meu filho garantida enquanto durasse as festividades. Naquela feira, meu filho foi campeão de todos os jogos. Sei que em seu intimo, assim como eu, Draco orgulhou-se dele. Foi o melhor entre os melhores e foi recebido em nosso long como todo campeão deve ser, sentou-se acima da linha do sal, e por uma noite eu vi minha familia reunida como ha anos não via. Sei que foi um consolo dos deuses ao coração de uma mãe aflita.

O pacto de aliança entre os jarls foi firmado . Logo que o inverno cedesse lugar a primavera,  que o degelo começasse a limpar os caminhos e as rotas, quando os porões estivessem cheios, o norte partiria para a guerra. Há tempos não vi o brilho nos olhos de Draco como vi naquela manha, quando os mastros ostentavam  as velas vermelhas de Tsiq-Jula. Ele partiu e ficou mais tempo longe do que de costume. Tive noticias de suas vitoris e de seus cercos. Elas chegava pela boca de mercadores, de viajantes, de trirremes que retornavam para buscar mais suprimentos , de marujos que contavam historias dos feitos dos torvies e do grande Tarsk Negro. Mas eu fiquei aqui, a espera da volta dele, como sempre o fiz, tendo o fogo por companhia, terminando as tardes com o olhar atras de velas no horizonte, fazendo minhas preces para que abençoasse meu filho distante e trouxesse meu marido de volta para mim, para que seu coração e seus pensamentos ainda fossem meus.


Então os horns tocaram , a vila se agitou em uma onda subta de alegria. As crianças correram , as mulheres levantaram suas mãos aos ceus agradecendo aos deuses. As velas no horizonte surgiam revelando aos poucos os Drakares, a dança dos remos , a ale da vitoria passada de mão em mão. Eles tinham voltado. ELE tinha voltado e meu inverno não seria mais tão frio.

                                                                                                        Lady Kalandra de Tsiq-Jula
                                                                                                                High Jarl Woman







segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tahari


Enfim Kasra. Luas e luas de viagem passadas sob a agonia e ansiedade. Ouvi quando os homens gritaram avisando que o porto era avistado. kasra se extendia banhada pelo poente debruçada sobre o rio e o  atracadouro de onde os navios partiam  carregados de sal  ou chegavam com mercadorias de todos os cantos de Gor. Draco estava em pé na proa com Locke ao seu lado. Velas do norte não são comuns naquelas bandas e tão poucos gigantes como aqueles que vinhan nos barcos carregando machados e trazendo a furia de Odim nos olhos. Os escudos brancos foram dispostos nos dracares para avisar que vinhamos em paz, mas a tensão podia ser sentida em cada olhar curioso que era lançando a nossa frota. Havia o silencio formado enquanto os navios jogavam as cordas, o cheiro de sal e peixe que vinha das docas. É em Kasra que o sal vindo das  minas de Klima é vendido , territorio neutro num pais movido pela guerra entre os Aretai e Kassar. Ali o sal reina supremo e ele tem  o seu proprio Ubar. Desde menina que escuto historia daquelas terras. Onde os espiritos do sol reinam, onde o vento traz tempestades que cortam a pele e a agua é o bem maior. Um lugar para fortes que eram  recompensados por sabores e aromas que so o deserto pode dar. E eu os senti quando desembarquei, o vento quente e sempre constante , trazia dos mercados o cheiro da frutas que so se encontra por la,  das especiarias que se misturavam ao cheiro de peixe do porto. O negro dos haiks das mulheres  pontilhavam as ruas estreitas entre as tendas, as vozes dos mercadores  disputando espaço para oferecer suas mercadorias, o colorido dos chalwar das escravas e o som dos sinos que vinham dos seus tornozelos, tecidos, joias, brilhos e perfumes, o Tahari tem tudo o que voce possa imaginar , tudo de mais exotico e brilhante, coisas que deixariam minha alma avida  e minha lingua salivando para desgustar todos os sabores daquela terra, mas meu coração estava pesado e meus pensamentos e atenção vol.tados para meus filhos. Draco tratavar de apaziguar a desconfiança da guarda de Kasra, Tobyr embrenhava-se naquele mar de gente a procura de informações e um guia, Locke negociava a um bom preço a guarda dos navios no porto e Honir providenciava mais suprimentos e carrega os kaiilas. O caminho agora seria por terra, atraves das areias quentes do deserto.

Devo admitir que quando o sol se põe no deserto, ou quando a noite desce seu manto negro e salpica o ceu com as estrelas prateadas e a lua banha as areias com sua luz palida, voce tem a certeza que esta diante de uma das visões mais impressionantes que seus olhos poderiam ter. Ele tem uma aura de magia, de poder que impressionam, mas tem tambem a mão implacavel e dura do deus da morte. O invenciveis homens do norte encontraram ali seu maior inimigo: o calor...o sol implacavel que castiga a pele. Uma semana de viagem pelas rochas escarpadas e pelas dunas de areia que se abriam infinitas no horizonte, e um a um dos homens de nossa caravana iam caindo. O orgulho os impediu de seguir a risca os conselhos do guia,  a arrogancia fez com que olhassem com descaso os perigos daquela região tão diferente de Torvadsland. Peles quieimadas, corpos desidratados , e os  gigantes invenciveis, os poderosos torvies, iam sucumbindo. A agua era o maior problema, ela não surge em rios e nem desce a encosta de alguma montanha. Ali, poços esparços é  tudo com o que voce pode contar, se souber o caminho. As bebedeiras da primeira noite envolta da fogueira foram por mim proibidas, não tomariam  nada  que pudesse desidrata-los ainda mais do que  ja estavam. Se gostaram? É claro que não, mas obdeceram . Mesmo Draco  lançou mão de seus protesto por ficar sem sua paga. Honir era o mais abatido, parecia uma piada dos deuses da areia: era o  guerreiro gigante  o primeiro a tombar. Mas de todos , era o meu companheiro quem mais rapido se recuperava , as linhas gravadas em seu corpo garantiam o vigor que  minha alma lhe dava. Nosso guia desde o inicio ja demostrara sua indignação as modos desrespeitosos dos nortenhos ao deserto e pude perceber o lampejo de um sorriso ironico quando viu todos os seus avisos se cumprirem. A sede, o calor infernal, a pele que se queimava  e ressecava, os labios que rachavam secos , feridos e sangravam, era o Hell numa versão mais quente na terra, mas  nada...nada  se comparava ao que ainda estava por vir.