Bem vindo

No mundo ficiticio de Gor muitas historias se desenrolam, essa é apenas uma, nos links de blogs ha historias de outros que tem seus caminhos cruzados e costurados pela agulha do destino, suas vidas contadas nas trilhas desse mundo brutal.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Conquistas

                  
                         Os dias se arrastaram sombrios e frios para mim. Retirei-me para os meus aposentos e deixe-me enredar num mar de vergonha e solidão. Olhava meu cabelo curto, as marcas no meu rosto e no meu corpo, os pesadelos que me assombravam as noites e me entregava a inercia e prostração. Não comia, não tinha coragem de ser vista, a vergonha era meu estandarte maior. Do quarto eu ouvia os gritos que cada um, envolvido em meu sequestro, bradava a cada tortura de meu companheiro e de meu filho. Mas nada aliviava. Draco ao contrario, sentia orgulho, e fazia questão de me falar que era uma batalha ao qual eu tinha saído vencedora. Mas a que custo? O que sabe um homem sobre as marcas que eles deixam em uma mulher?

                    Na quarta manhã apos a minha volta uma mensagem chegou de Rive de Bois. Era de Tobyr, informando que mercenários aproveitavam-se dos boatos sobre a Tatrix e o High Jarl do Norte, para atacarem os muros de Rive de Bois. O posto avançado havia caído e um cerco foi levantado à cidade. Ele pedia reforços para combater os homens de Wood Clea chus, um antigo posto avançado, tomado por mercenários, uma terra sem leis, que agora reivindicava Rive de Bois para si. Talvez o destino tenha sua maneira própria de resolver as coisas. Talvez os deuses utilizem rotas paralelas para conseguir o que querem. O fato é que, saber que minha cidade, meu povo precisava de sua Tatrix, me tirou do ostracismo ao qual eu tinha me enterrado.

              Eu não ia permitir que me tomassem a cidade, não ia permitir que o norte sofresse essa perda. Eu vi o olhar de Draco me cobrando uma atitude, exigindo que eu reagisse a eminencia do ataque que tomaria de nós o que tínhamos conseguido. Eu reagi, decidi que iria atender ao chamado, Eu queria lutar, extravasar toda minha raiva e impotência, descontar tudo o que passei naqueles malditos mercenários. Só restava conseguir convencer Draco a permitir me levar junto ao invés de me trancar em um dos seguros cômodos do Palácio de Rive de Bois. Ivar teve grande influencia na decisão de meu companheiro. Convenceu Draco, de que se a batalha fosse de alguma maneira perdida, o ultimo lugar seguro para a sua Tatrix, era o palácio. Seu Tarns, no alto, observando a luta, era o lugar mais seguro para a Tatrix. Caso algo desse errado, ele poderia voar de volta para Lydius me trazendo com ele. Draco ponderou e pelos Deuses, ele concordou.

               Devo dizer que me senti viva novamente, Uma motivação me arrastava e me fazia soltar qualquer corrente que me prendesse. Disfarcei-me é claro. Não era prudente que soubessem que o jovem guerreiro nas costas do Tarn do Paxá Elijah era na verdade a Tatrix e High Jarl woman do Norte.  Eu pude ver a batalha do alto, sentir o pulsar do sangue correndo velos em minha veia, a alegria da vitória quando o cerco caiu e Rive de Bois era novamente nossa.

               Quando retornei triunfante ao Palácio, a vitória nos acompanhava. Uma ordem era necessária para impedir novas tentativas. O fim de Woods Clea chus. E assim foi feito. Cada homem que levantou a espada contra o Norte e Contra Rive de Bois caiu naquele dia. O assentamento foi transformado em um posto avançado nosso. Mas havia muito dano como sequela daquela empreitada. Rive de Bois ia precisar de todo recurso possível para ser reconstruída, para se colocar o projeto dos canais em andamento, e ouro, depois de tantas campanhas de guerra, depois dos gastos fortificando Lydius e as fronteiras, do ônus que a contratação e implantação do ninho e de Tarsman geraram, era o que menos tínhamos. Havia uma necessidade urgente de se adquirir fundos e o se ‘var logo estaria às portas do Norte. Mas havia uma saída, ainda que arriscada, mas que contava com o calor da batalha e disposição dos homens: Tharna e suas minas. E assim era feito, Draco, marchou para Tharna.

           Eu? Segui com Ivar para o Tahari. Uma carta informava da proximidade do nascimento de seu filho. Draco não precisava de mim para tomar Tharna, precisava do machado e das lanças de seus homens, das bênçãos dos deuses, mas Ivar, ele precisava de mim, e se tinha algo que eu já tinha decidido, era que, eu não perderia novamente, nenhum momento importante do meu filho.

                Os deuses nos presentearam com um menino, um varão, nomeado com o mesmo nome do pai, Ivar. Junto, chegavam as noticias da conquista de Tharna. A prata fluiria para manter as fronteiras do Norte seguras. Parti assim que pude para Rive de Bois, mas antes, parei em Ar; eu precisava ver minha filha, contratar mestres para que pudessem tornar os solos de Rive de Bois férteis. Eu tinha poucos dias, e pretendia colocar a casa em ordem. 

             Em nossa casa em Ar, fui recebida por Vittus meu genro, sempre tão atencioso e educado. Um menino de ouro com certeza, um acerto na escolha para o contrato de Thássia. Minha filha para variar estava enfurnada na biblioteca ou no laboratório envolvida com suas pesquisas e estudos. O garoto, entregue aos cuidados e mimos da escrava ruiva que o servia, Tessália. Aquilo sim era um perigo completo, apenas minha filha não via. O pouca idade do rapaz permitia que ela tivesse um papel fundamental no controle de sua vida e do contrato, mas enfurnada sobre livros, esse espaço era tomado pela escrava, que já devia ter uma influencia maior do que a minha filha na vida de Vittus. E tinha meu neto. Três meses e nada de Thássia engravidar. Apesar de não gostar de me meter na vida de meus filhos, eu tinha que intervir. Era necessário.

           Conversei com Thássia e com Vittus, e decidi que eles voltavam comigo para Lydius. Vittus informou-se que tinha um trabalho a fazer para Kamal, algo que me interessou muito. Uma viagem a Helmustport, atrás de uma espécie de artefato que kamal desejava muito. Vi nisso a chance perfeita para aproximar meu filho de Thássia e tirar a ruiva do jogo. Ela iria com Vittus, e a escrava ficaria comigo. Afinal, os dois tinham que aprender a contar um com o outro. Vittus, não gostou, mas Thássia se empolgou. Ela tinha tomado para si as pesquisas medicas do tio e da mãe de Vittus. Fazer um trabalho de campo a animava. O mesmo gosto pela aventura que tinha Ivar estava também no sangue de Thássia.


             Mas outro assunto também veio a tona. Uma sombra do passado que rasgou minha família ao meio. Que deu origem a raiva e magoa que permeavam o relacionamento de pai e filho entre Draco e Ivar. O suposto sequestro de Thássia há anos atrás. Thássia nuca falou sobre isso, mas eu sabia que Ivar, jamais magoaria a irmã, ou faria qualquer coisa que ela não quisesse. Eu estava certa. Thássia havia concordado com a fuga, e pior, havia se calado todos esses anos, Medo do pai?  Provavelmente, ela era apenas uma garota, e viu Draco sacar a espada contra o filho e bani-lo de nossas vidas. Ela deve ter ficado assustada com certeza. Mas nos anos seguinte, ela viu as consequências disso e ainda sim, se calou. Draco foi duro com Ivar, e meu filho pagou um preço alto e pesado demais pra assumir uma culpa sozinho. E isso, eu pretendia consertar.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Sequestro



A lembrança desses acontecimentos ainda corroi a minha alma, ainda me trazem vergonha, dor e sofrimento. Tenho lutado para me livrar das marcas que esse episódio deixou em minha vida.


Foi em  em uma manhã, inicio do outono em Lydius, Draco havia partido em viagem para Kassau, na tentativa de conter uma pequena revolta que se instalava na velha cidade, as Margens da Floresta do Norte, reclamada pelos Iniciados. A caravana de Quintus havia chegado à Lydius e pedi como de costume que Bors formasse uma pequena guarda para me acompanhar até o acampamento do mercador, fora dos muros da cidade.

       Eu estava magoada com Draco,. O pequeno presente de Kamal para ele, Meera, a escrava negra de Schendi, tinha se transformado no maior dos meus infortúnios. Eu a descobri gravida de meu companheiro. Segundo ele, um lapso, um erro não pretendido. Ele havia se passado no vinho da escrava. Tem ideia de como aquilo soava para mim? Sabe qual o costume Torvalds para subjugar uma mulher livre? Ela é atirada no circulo, contra a vontade, ou a encontra lamina da espada, então o vinho lhe é dado e somente depois, ela é aberta. Eu o vi, tantas vezes, fazer isso. Tantas vezes que já perdi a conta. Cada vila, cada cidade, cada mulher tomada por ele como espólio. E com nenhuma, ele se "passou” com o vinho. Pergunto-me, o quão fascinado ele ficou com ela, para querer que ela desejasse o seu colar, para pular, todo e qualquer tipo de ritual que ele mesmo se impunha para tomar algo que não deveria ter importância alguma.

      Eu pensei que talvez as compras me ajudassem a retirar essa nuvem negra e pesada que rondava meus pensamentos. Devo admitir que tive ímpetos em mandar mata-la, em vendê-la como fiz com outra escrava no passado. Tinha medo, medo que ele me trocasse por ela, medo que a historia se repetisse, medo que o filho que ela lhe dava, filho ao qual neguei quando me foi pedido, tomasse o lugar dos meus filhos, tomasse o meu lugar em sua vida. Mas não podia. Ele sabia da gravidez, eu mesma , inocentemente o avisei. Achei que era filho de Kamal, e que teríamos um grande trunfo contra o tahariano. Ledo engano.

       Nada que Quintus me apresentava conseguia tirar a dor que fazia morada em meu coração. Por fim, decidi encerrar aquela visita infrutífera e retornar aos muros de Lydius. Foi quando o céu se cobriu de negro, o bater de asas misturou-se ao do vento e uma revoada de tarsman baixou em direção a minha pequena escolta. Quintus tinha me freado o passo, incomodado com o fato de que eu não me agradara de nada em sua caravana. Ouvi Seth, meu escravo gritar. Olhei para cima e as garras daquele animal se fecharam em torno de mim. Senti-me sendo levantada do chão por um bater de asas ensurdecedor, o solo ficava cada vez mais longe e uma vertigem tomou conta de mim. O vento açoitava meu rosto , os tecidos da minha roupa chicoteavam o ar. Ainda ouvi gritos e zunidos do que pareciam ser flechas , mas a balburdia do momento ia ficando para trás e a minha frente, os picos das arvores da floresta eram substituídos aos poucos pelos picos gélidos da montanhas da Terra dos Torvalds. Eu era levada para o Norte.

      Foram dias vividos no inferno. Um dos Jarls de Draco, insatisfeito com o rumo das coisas, resolveu depor o Tarsk Negro e tomar para si o que era , segundo ele, seu de direito, e atacou o ponto fraco do grande Senhor. Eu fiquei naquele acampamento por uma semana, sob o julgo do chicote e a rotina do estupro. Mas não me submeti. Homem algum , a não ser Draco , teria o seu colar em mim. Não no que dependesse de minha vontade. Eu preferia a morte. O frio, a fome e as algemas rasgando meu pulso pareciam me deixar em torpor. Pensava em minha casa, em meus filhos, na incerteza do meu destino. Perguntei-me se Draco viria me buscar, duvidei, eu sei, do amor que ele tinha por mim. Afinal, agora existia outra mulher que trazia em seu ventre uma semente dele, e em Gor, a troca de mulheres era algo tão banal, tão usual. Um novo contrato, uma nova Senhora do Norte, um novo herdeiro do High Jarl, nada disso soava absurdo. E Ivar? Ele me deixaria abandonada a minha própria sorte? Ele era a minha única esperança. 

        Confesso que os dias tiravam minha esperança, eu já pedia a morte. Estava exausta. Meu cabelo tinha sido cortado e já tinha passado por todo tipo de dor e humilhação. O acampamento se preparava para partir. Eu sabia, que quanto mais o tempo passasse , mais nos movêssemos, mais fácil seria perder a minha pista. Fui colocada em um dos tantos vagões de carga, jogada no interior sujo de um deles, coberta apenas por peles sujas e fedidas que mal me aqueciam. Foi quando ouvi um grito ecoando no acampamento e percebi, que algo estava acontecendo. Era a minha chance. A confusão se instalava entre os homens do lugar, forcei , chutando as tabuas velhas e podres do vagão ate que consegui arrebenta-las e arrastar comigo o anel escravo que me prendia. Esgueirei-me na neve , por baixo dos vagões. Havia luta, sangue, o lugar estava sendo atacado. Eu só pensava que tinha que sair dali para não cair nas mãos de outro. Ouvi o guinchar de tarns mas não olhei para o céu, foi quando senti uma mão me levantar do chão, Era um dos meus captores que tentava impedir minha fuga. Debati-me gritando e um vulto saltou sobre o homem que me pegava. Mal acreditei quando vi Seth, meu escravo , se colocando entre mim e o homem. Ele ia morrer, não era um escravo treinado, e teria caído ali, diante dos meus pés , se não fosse Hakin, um dos homens de Ivar a sangra o porco com sua espada. Ivar! A presença de Hakin significava que meu filho estava ali, ele tinha vindo me buscar. Dobrei os joelhos chorando de alegria. 

         Mas Ivar , não tinha vindo sozinho. Entre as lagrimas vi a figura majestosa de Draco que corria em minha direção, cortando com seu machado cada homem que se colocava no caminho. Ele tinha vindo me buscar, não tinha desistido de mim, seu amor por mim ainda existia. Naquele momento , eu era a mulher mais feliz de toda Gor. O seu amor, ainda era meu!


                                                                           Lady Kalandra
                                                               High Jarl's Woman do Norte
                                                                   Tatrix de Rive de Bois



A Tatrix de Rive de Bois

       



         Rive de Bois estava sob cerco cerrado. As tropas do norte misturavam-se aos Tarsman de Ivar e aos guerreiros de Kamal. Um acampamento havia sido montado há alguns pasangs de distancia dos muros da cidade. Eu segui com Draco para a guerra, não como a Jarlwoman, mas sim como sua escrava. O colar novamente era colocado em mim para que eu pudesse acompanha-lo. Muitos dos homens do norte sabiam de quem se tratava aquela escrava, mas para os estrangeiros eu era apenas uma escrava, a preferida do Jarl, a intocável, que servia à apenas ao Senhor do Norte. 


            Ivar foi o mais difícil de conter. Ele simplesmente não aceitava a ideia de que a mãe estava em um colar, colocado pelo pai, em meio a uma guerra e correndo perigo. Draco deixou claro a ele, que a mulher era dele e cabia a ele decidir onde e como ela estaria. Era imprescindível que ele se controlasse, ou seu próprio disfarce cairia. Somente depois que conversei com meu filho e ele teve a certeza de que não era um colar forçado, seu espirito sossegou. Em seu intimo, ele me entendia e seus olhos em silencio me perguntavam: Se era aquilo que eu queria, porque não com ele? Uma resposta difícil para uma questão complicada.


          Kamal foi o mais surpreso. Percebi que a situação o divertia e o intrigava. Por diversas vezes tentou se aproximar e ate mesmo me humilhar em minha condição. Mas ele é um homem como tanto outros e não é difícil surpreender quem sempre espera o obvio. Draco percebeu o interesse de Kamal e eu um brilho diferente em seus olhos. O Senhor das Areias desejava a mulher do norte. Draco tinha algo que ele jamais com toda sua riqueza conseguira. 


          Pai e filho lutaram juntos, e sangrei por cada um deles. Um grupo de homens liderados por Bors teve a missão de ficar no acampamento e garantir, que caso a batalha fosse perdida, a Jarlwoman seria levada em segurança para Lydius. Hakin, primeiro comandante de meu filho, também foi colocado com a mesma missão. A contra gosto, e achando que estava sendo punido, o taharian se manteve no acampamento enquanto seus homens honravam suas espadas. 


              A vitória veio com sangue. Meu sangue derramado para salvar meu senhor. Eu vi os olhos atônitos de Hakin e Bors que viam, sem entender, o sangramento da senhora do Norte.  Eu entrei em Rive de Bois em uma liteira, inconsciente pela magia que protegia Ivar e Draco. Por três noites eu vive no mundo dos sonhos, onde os espíritos cobravam seu preço de sangue. No amanhecer do quarto dia eu despertei, Draco estava ao lado da minha cama e sorriu para mim. Eu vi o cansaço em seu rosto, as olheiras que indicavam os dias acordados velando o meu sono.  A pergunta silenciosa de quem não entendia o que tinha acontecido. Problemas de mulher. Foi a débil resposta que dei as suas perguntas. Eles estavam preocupados, mas estava feliz por me ver despertar e retomar a rotina de nossas vidas.


          Naquela noite, ele me mostrou Rive de Bois, me apresentou a cidade que era o berço do Laurius. Eu vi as marcas e cicatrizes da guerra, expostas nos muros quebrados, nas casas incendiadas, no povo amedrontado e faminto. A cidade pedia que suas feridas fossem curadas.


           - Ela é sua.


           Olhei para ele sem entender. 


        - Ninguém mais que você a merece. Se não fosse por você, eu não teria ido ao Tahari, não teria meu filho lutando ao meu lado, não teria conquistado Rive de Bois. Ela é um presente meu para você.


          Não esperava tamanho mimo. Talvez uma joia ou vestido como fosse do feitio de Draco em me presentear. Mas uma cidade? Estava além de qualquer sonho ou desejo meu. Aquela cidade ferida e despedaçada me pertencia, Draco a entregava a mim, confiava, e eu estava disposta a fazer por merecê-la. Era minha cidade, eu a levantaria e a transformaria. Eu era agora a Tatrix daquele lugar e tinha planos para Rive de Bois.


                      
                                                                              Lady Kalandra
                                                    High Jarlwoman do Norte - Tatrix de Rive de Bois

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As Bodas de Thássia

        

     A parte mais difícil foi convencer Thássia a unir-se em contrato de livre companheirismo. Devo dizer que ela relutou muito, a ponto de tentar fugir do palácio em Lydius e despertar ainda mais a fúria de Draco. Não que ele estivesse plenamente de acordo com essa união, Draco, ainda via em Thássia a sua garotinha, mas não admitia que o desobedecessem e convence-la coube a mim.  Fazer Thássia entender o quão vantajoso poderia ser o casamento com esse garoto, de uma boa família, alta casta e jovem, exigiu de mim uma grande dose de paciência. Ela é turrona, tanto quanto o pai e disposta a não ter sua vontade ou planos dobrados. Mas ela compreendeu, que melhor do que envelhecer junto ao fogo de um longhall em Tisrq-Jula, era poder continuar seus estudos, em Ar, longe do controle do pai e ao lado de um homem jovem, ao qual ela pudesse ter uma influencia maior.

           Ivar havia subido conosco para o Norte. Os planos para tomada de Rive de Bois deviam ser traçados. Um grande exército de Tarsman o acompanhou e tomou a cidade de Lydius. Vittus e Kamal chegaram na Mão seguinte e os preparativos para o contrato seguiam intensos. Fiz questão de garantir que todos os detalhes estivessem à altura do contrato da filha de um Ubar, e para isso, contei com um trunfo que me foi dado por Ivar, Seth, o escravo de sedas de Ahleena. No norte, um Kajirus não tem muita utilidade, ele seria jogado para os estábulos sob o comando duro do chicote de um feitor, mas era uma estupidez desperdiçar o treinamento daquele Kajirus. Um escravo versado em Ar, nas artes do prazer e do entretenimento e que me seria muito útil nos preparativos do casamento. 

            Lydius é uma cidade do Norte, que mistura o estilo Torvaldslander com os moldes das grandes cidades do Sul. Desde sua arquitetura, trajes e hábitos, esses dois estilos se misturam e se dividem. Há castas em Lydius, o que é tão importantes para um Torvie quanto um o granir de um Gant, mas, os nobres de Lydius se orgulham disso e tendem a nos consideram primitivos e ignorantes. Eu estava disposta a mudar isso. Draco precisava do apoio daqueles vermes para governar e era essencial que essa visão mudasse. Dinheiro, luxo e muitas possibilidades era o que eu estava disposta a mostrar, como farelos jogados aos vulos, os chamando para comer, e Seth me ajudaria nisso.

           Foi difícil convencer Draco a não matar o Kajirus quando o pedi para mim, mas por fim, ele cedeu com a condição que o escravo não ficasse a meus pés e tão pouco o deixasse deitar os olhos sobre ele na casa. Algo fácil de ser resolvido.  Tirei Seth dos estábulos, machucado e ferido. Kajirus não são bem vistos entre os Thralls e feitores. O garoto havia sido sujeitado a todo tipo de maus tratos e humilhação, usado com uma garota, ele havia conhecido o inferno. Eu oferecia uma nova chance para ele, algo que ele jamais ousaria sonhar em sua nova vida no norte. Ordenei que lhe banhassem, tratassem seus ferimentos, lhe dessem comida, uma cama quente, que não fosse tocado por ninguém sem minha ordem expressa e por fim, entreguei-lhe o chicote. Ele deveria usar todo o seu conhecimento para me ajudar com os preparativos da festa e garantir que as bonds do palácios se portassem como kajiras de Ar.

          Não tive do que reclamar, Seth honrou a missão dada de forma impecável e me ajudou a garantir que o festa do contrato de Thássia fosse digno da filha do Ubar do Norte, o grande High Jarl. Toda a cidade foi decorada. Jarls vieram de todos os cantos de Torvaldsland com suas comitivas e bandeiras coloridas. Os administradores das cidades conquistadas , vieram , trazendo presentes e reforçaram sua lealdade junto ao High Jarl. Foram três dias de festas, muita comida e bebida. As portas do Grande Salão se abriram para os nobres de Lydius, assentados conforme sua importância acima ou abaixo da linha do sal. Assim, Seth garantiu seu destino dentro do palácio me servindo, os estábulos eram agora apenas uma lembrança ruim, um aviso do que poderia lhe acontecer se não me servisse bem.

           Thássia partiu para Ar, ficariam residindo em nossa casa na esplendorosa cidade. O estudo dela como Medica continuariam, Vittus teria nosso apoio para seus estudos de Magistrado e Gaius iria providenciar para que o garoto fosse aceito em Ar. Seria uma questão de tempo ate que os filhos viessem, um cargo maior fosse conquistado por meu genro e uma das nossas cidades dada a ele para governar, porque sim, por mais que eu amasse e respeitasse os sonhos de Thássia, eu tinha planos para ela, não como médica, mas sim, como Ubara!


                                                                             Lady Kalandra
                                                                     High Jarl'Woman do Norte




quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Uma Acordo Para Thassia, Um Presente Para Kamal


A certeza que já tinha ouvido o nome do pretendente de Thássia era confirmada quando aquele garoto de cabelos vermelhos entrou acompanhado por Kamal em minha casa. O Grande Larl Vermelho. Não foi assim que Vittus, aquele garotinho que conheci em Sesrrunir, se autoproclamou? Tive que conter meu sorriso. Ele agora estava com seus dezoitos anos, tinham um rosto jovem e bonito, uma fina e esparsa barba ruiva teimava em crescer na esperança, talvez, de torna-lo mais velho. Os olhos azuis eram vividos e brilhantes, e me olhavam espantados e curiosos. As palavras pareciam presas em sua garganta. Teria ele me reconhecido? Aquilo me divertiu.

"- Sejam bem vindos a minha casa! "

Eu os saldei, Draco apenas grunhiu. Ele ainda não tinha absorvido bem a ideia de casar Thássia. 

"- Um garoto, Kalandra. Ele mal saiu das fraldas. O que está pensando? Ele não consegue empunhar um machado, como vai defender nossa filha? E ainda por cima um escriba."

Draco não via as coisas como eu. Ele era um guerreiro, o valor maior em um machado, no sangue dos inimigos banhando corpo na vitória. Mas, nossa filha, no que dependesse de mim, não ia se enterrar junto ao fogo de um longhall, para definhar aos poucos. Eu estava disposta a dar-lhe uma casta, não que isso importasse no Norte, sendo ela quem era, estava acima desses detalhes. Thássia não era igual às outras mulheres de Torvalds, não digo o gênio e a determinação, mas sim a aspiração ao estudo de Medicina. Ela se viu obrigada a abandonar esses sonhos quando o pai a trouxe de volta para casa e a manteve em Tsirq-Jula. E por Draco, ela continuaria assim.  Além do mais, alguém mais jovem que ela, permitiria que tivesse mais habilidade no trato com ele, e se ela fosse esperta, e eu esperava que fosse ela conduziria esse companheirismo de forma a ter  "liberdade" para seguir seus estudos.

Kamal, por sua vez, não lançava os mesmo olhares cobiçosos para mim. Era um homem esperto, sabia medir o território que pisava. Percebi o olhar dele vagar na direção de Meera, a escrava negra de Schendi, com a qual ele presenteou Draco.  Devo dizer que minha mente trabalhava, eu buscava resposta em cada movimento, expressão ou frase de Kamal, para as tantas perguntas sobre aquele homem que eu me fazia.  O que ele queria afinal? Apenas casar seu pupilo com nossa filha? Ou haveria algo por trás disso?

Ivar nos acompanhou durante o jantar. Achei por bem que ele participasse, afinal era o irmão de Thássia e, se Kamal desejava algo de nós, era bom que soubesse que havia uma aliança entre o Norte e o Oásis de Saphir , e desconsiderasse , qualquer intenção de voltar-se contra Ivar. Por outro lado, Ivar estava tão curioso quanto nós para saber dos planos e proposta de Kamal. Meu filho, já tinha deixado claro no acordo com o pai, que desejava o País do Sal.

Tentei conduzir o jantar da forma mais amena possível, apagando um ou outro sinal de incêndio que ameaçasse acabar com o encontro. Não queria que nosso convidado se sentisse , de alguma forma , constrangido ou ofendido, em minha casa. O contrato de companheirismo entre os dois me interessava. O garoto vinha de uma alta casta, tinha um nome solido por trás de si, compartilhava o amor pelo conhecimento que minha filha tinha e era de uma amabilidade sedutora, uma companhia agradável. Eu estava convencida que seria perfeito para Thássia. Restava convencer Draco,

Ele relutou, mas por fim, determinou o preço da noiva. Nem mesmo a filha do Ubar de Ar, teria um preço tão elevado. Desconfio que ele imponha o alto valor , na intenção de fazer o pretendente desistir. Mas para nosso espanto, Vittus aceitou o preço , e a Draco, não restou muita opção a não ser , se conformar.

Vittus partiria em comitiva para o Norte, assim que os arranjos estivessem prontos. O casamento se daria o mais rápido possível, em Lydius, diante de todo povo do Norte como testemunha.  E eu tinha tanto para arrumar, um casamento para providenciar! Mas claro, como boa anfitriã, não me esqueci de retribuir a gentileza de Kamal, para meu companheiro. Uma mulher livre, de beleza ímpar, filha de um Ubar de Schendi, dada como escrava, era um presente e tanto, eu devia supera-lo. Não, eu não daria outra escrava. Você pode consegui-las em cada rua das marcas de qualquer cidade, ou nas caravanas de mercadores que correm Gor. Uma escrava mais bonita que a outra. Meu presente era tão belo , nobre e até mais caro. Com a ajuda de Ivar que conhecia a região , e a de Tobyr, eu comprei para Kamal, um belo garanhão negro. Digno de um Ubar. Uma beleza negra e selvagem sobre quatro patas, capaz de despertar a inveja ate mesmo dos deuses. Eu disse selvagem, sim, e no sentido literal da palavra. Segundo o dono do animal, ele era indócil, impossível de ser montado, já havia derrubado seus melhores cavaleiros e avançado contra eles, tentando arrancar pedaços de suas carnes com suas duas fileiras de afiados dentes. Bem, ele me pareceu perfeito!

Os olhos de Kamal brilharam quando viu o Kaiila com o qual eu o  presenteei. Já Draco, me olhou com  a fagulha do ciúme acesa no olhar. Era como se me perguntasse: "Por que nunca ganhei de você um presente assim?" Oras meu querido, simplesmente porque te amo! E naquela noite, sonhei com Kamal, sendo derrubado pelo maravilhoso kailla , que saltava sobre ele, mordendo, tentando arrancar um pedaço daquela carne morena. Acordei sorrindo!


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Surpresas em Kasra


Tenho que admitir, não sei viver longe dele. Mesmo com a alegria e os dias felizes do reencontro com meu filho, meu coração desejava ardentemente por Draco.  Quando cheguei a kazra, a via do mercado principal que levava a nossa casa estava abarrotada de kaillas, mercadores, crianças e escravos, a rua estava interditada por uma caravana que havia recém chegado e descarregava suas mercadorias. Desci da liteira e atravessei a pé o mercado, desviando da turva de pessoas que obstruíam meu caminho, seguida por uma pequena leva de guerreiros nortenhos, encabeçados por Bors, meu guarda pessoal, e Ivar, ambos implorando para que eu não me expusesse tanto. Draco da sacada percebeu o movimento e veio de encontro a mim, espada desembainhada pronto para guerra, julgando que algo errado acontecia.  Vi em seus olhos o alivio ao ver que eu estava bem, e o sorriso que invadia seu rosto pelo meu retorno, o mesmo olhar profundo e afetuoso que em seguida caiu sobre Ivar. Ambos se olharam em silencio por um longo tempo, ate que achei por bem quebrar a tensão.

“- Meu Senhor, O Pasha do Oásis de Saphir veio ter conosco, será nosso hospede, junto com sua companheira".

A farsa, ali, diante de todos devia ser mantida. Tirando os mais íntimos, velhos companheiros do circulo de Draco, como Tobry e Bors, ou de Ruby, minha escrava de longos anos que viu Ivar crescer, ninguém mais sabia da verdade.

Era o primeiro encontro de ambos ao longo dos anos e eu podia sentir a tensão do momento. Ordenei que vinho e comida fossem servidos e os quartos preparados. Foi então que a vi. Uma bela negra de corpo delgado, formas redondas e avantajadas. Os seios fartos empinados que balançavam ao sabor do movimento, a cintura fina, a bunda redonda e grande que gingava no balançar dos quadris arredondados, os olhos eram cinza, a boca carnuda, o rosto bem feito emoldurado pela juba negra de cachos que caiam sedosos pelas costas.  Por uns instantes fiquei perdida, me perguntando quem era. O colar metálico sem seu pescoço, a pouca roupa não deixavam duvidas, era uma escrava, mas eu não a tinha comprado isso era fato! Então de onde ela tinha surgido. Virei-me imediatamente buscando a resposta nos olhos de Draco que ignorou o fato. Ela caminhava com a altivez de uma livre, mas também com a sensualidade de uma escrava, e a forma como ela dobrou-se aos pés de Draco e o serviu em seu meticuloso ritual, me sugeriu que ele vinha dedicando seu tempo para que ela soubesse como agrada-lo. 

Ivar deve ter percebido minha surpresa, mesmo eu tentando não deixar evidente meu espanto. Ele lançou os olhos azuis sobre a negra e percebi que ele a avaliava. Eu não esperava encontrar tamanha beldade aos pés de meu companheiro. Mas não era hora de esmiuçar o assunto e não daria o braço a torce diante de uma escrava, para que ela soubesse o quanto ela me incomodava. Então, trouxe a tona o assunto da gravidez de Ahleena e dispensei todas as escravas. O momento exigia privacidade, para que em família, comemorássemos a benção dos deuses. Draco emocionou-se e tocou a barriga de Ahleena. Um neto era uma dádiva, uma benção dos deuses, o seu sangue renovado, ele sorriu para Ivar e depois para mim. Haviam lágrimas nos olhos do meu companheiro.

Foi no findar da noite, quando as tochas já se apagavam, dentro da privacidade de nosso quarto, que indaguei Draco sobre a escrava. 


"- O nome dela é Meera. Foi um presente de Kamal, uma livre, filha de um Ubar de Schendi. Um agrado.” Draco sorriu. "- Creio que ele almeja algo de mim". Comentou enquanto se desfazia do cinto de mestre.

Kamal? O mesmo Kamal que foi até o Kasbah de Ivar me propor um livre companheirismo entre seu pupilo e minha filha? Se ele já tinha encontrado Draco, por que não fez a proposto ele mesmo? Por que se deslocou ate o Oásis e nada mencionou sobre o encontro de ambos e o presente dado? Sentiu uma súbita raiva daquele homem. Senti-me enganada. Contei a Draco sobre a visita de Kamal ao Oásis e a proposta de companheirismo para nossa filha, e que o tinha convidado a nossa casa, para conhecer o jovem pretendente.


Draco ficou tão irritado quanto eu, não somente pelo fato de ficar claro que Kamal jogou conosco, mas também, pela ideia de casar Thássia. Ele ainda não tinha digerido bem essa ideia. Era algo que precisava ser trabalhado. Thassia já passava dos vinte e cinco anos, seus estudos haviam sido interrompidos e o pai a mantinha em Tsirq-Jula, em uma gaiola dourada. Já era mais do que hora de colocar fim aquela situação. No dia seguinte mandaria um mensageiro com a data do jantar ate Kamal, e claro, eu mesma providenciaria um presente para ele, para retribuir o mimo, com que ele gentilmente, presenteou meu companheiro. Gentileza deve ser sempre retribuída!


                                                                         Lady Kalandra
                                                                       High Jarl'Woman

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre as Areias do Tahari




Kazra foi nosso destino, na cidade portuária as margens do Baixo Fayeen, Tobyr , por ordem de Draco, providenciou uma casa para abrigar toda a comitiva Torvie. Não preciso dizer da agitação reinante na cidade com nossa chegada. Não era comuns homens do Norte naquelas terras. 

Concordamos que eu iria sozinha para encontrar Ivar no Oasis de Saphir, Draco esperaria em Kazra, enquanto eu trataria de iniciar as conversas e convencer Ivar da necessidade da aliança. Não que isso tenha sido do agrado de meu senhor, mas ele estava, devo citar, colaborativo. Três dias foi o prazo que ele me deu, nada mais, ou ele mesmo invadiria “o Palácio de Areia” de Ivar e me arrancaria dali. A sempre sutileza do Tarsk Negro.


Havia uma comitiva de Ivar a minha espera, o que pareceu irritar ainda mais Draco. Ele não me permitiu partir no mesmo dia, e fez, Hakin, o primeiro espada de Ivar, e toda comitiva, me esperar por dois dias. Dias esses que ele inventava algo importante para fazer , como escolher escravas que ficariam na casa a servi-los, (não que me desagradasse, eu ate preferia escolhe-las, mas ora, ele nunca me chamou para escolher uma única sequer escrava que ele já tivesse adquirido para o seu harém) ou mesmo fazer as compras no mercado para deixar a casa abastecida. Sim, eu sei, são tarefas de uma mulher e boa esposa, mas Tobyr já tinha lotado aquela dispensa com todo tipo de mantimento possível.

No terceiro dia, não tendo mais desculpas a dar, foi me permitido partir. Tive a sensação de deixar uma criança triste para trás, mas era necessário. Era vital que eu garantisse o terreno para a futura conversa de ambos, e também, eu ansiava por ter aquele tempo com meu filho. Foram três longos dias de viajem dentro de uma liteira puxada por kaillas. A paisagem avermelhada , o calor causticante e as noites frias e estreladas do deserto a cada acampamento montado. Eu percebi a animosidade no olhar de Hakin para mim. Creio que ele não compreendia, qual a importância daquela mulher de hábitos estranhos para o seu mestre, Elijah, como meu filho era conhecido entre eles. Nosso parentesco era desconhecido e um segredo a ser mantido , pela própria segurança de Ivar.


E ele me esperava , do alto das ameias da murada de seu kasbah, quando no terceiro dia de viagem avistamos o Oásis. Meu coração explodiu em uma alegria única e foi preciso me conter para não estragar o segredo e saltar nos braços do meu filho. Ali , eu era apenas a High Jarl'Woman do Norte, uma estranha visitante que levantava perguntas e suspeitas de todos sobre os meus objetivos ali. Afinal, o que queria aquela mulher que viajava sozinha, sem o companheiro, tão longe de sua casa, para falar com o Ubar do Kasbah?

Meu filho Ivar, ou melhor Elijah, havia se unido em um livre companheirismo com Ahleena, filha de Gaius e Nidia de Ar. Um dos vários eventos na vida do meu filho que perdi, pela rusga entre pai e filho, eventos estes, que não estava disposta a perder novamente. Eu estava decidida, e iria fazer o que fosse necessário, passar por cima de quem atravessasse meu caminho, para unir minha família novamente.

Depois que passamos os portões do palácio, depois de todos os guardas e escravos dispensados, ali, sozinhos naquele grande salão, pude jogar-me nos braços de meu filho e matar toda a saudade de anos de distancia. Ele parecia mais velho do que me lembrava, algumas leves rugas no rosto moreno, queimado de sol, apareciam no canto dos olhos. Ele estava feliz, tanto quanto eu e a presença de Ahleena com seu kajirus junto aos seus pés, pareceu-me secundaria. 


Ceamos e rimos bastante, contando as novidades e revivendo as memorias, não falamos dos motivos da minha presença ali no kasbah e já era tarde da noite quando me recolhi à ala leste do palácio. Uma ala inteira montada para mim, Um luxo estonteante para os olhos, com salões repletos de plantas, fontes , sedas e ouro.  
"- Digno de uma Ubara. A minha Ubara!"

 Ivar sempre foi um sedutor, talvez por isso, eu nunca consegui dizer não a ele. E naquela noite, assim com nas outras , matei em seu corpo e nos seus lábios toda saudade que tinha.


A história da mulher do Norte que era enviada pelo companheiro para visitar o Ubar do Oásis de Saphir, despertou a curiosidade Kamal Farad do Oásis de Siwa, que foi em pessoa conferir a veracidade dos fatos. Ivar, ou Elijah, o recebeu e ofereceu o vinho e o sal, dando a ele a hospitalidade em seu Kasbah. Kamal era um homem duro, de olhar firme, do tipo que não estava acostumado a ouvir um não, ou ser desagradado. Percebi o olhar curioso que ele lançava sobre mim, uma mulher sem véu não era comum naquelas terras, mas a segurança do palácio de meu filho, me dava a liberdade de manter o costume do Norte. Segundo Kamal, o motivo de sua presença, era ter ouvido que eu estaria presente, e dessa forma, propor um livre companheirismo entre minha filha e um protegido seu, bem nascido e de alta casta, que estava sobre a sua tutela, Vittus Lawcet de Siwa. O nome me soou familiar, e casar Thassia já estava nos meus planos, por isso, mesmo com Ivar enciumado pelos olhares que Kamal me lançava, concordei em recebe-los em nossa casa em Kazra, e talvez, decifrar melhor as intenções daquele homem.


Foram três dias intensos, onde apenas estar um com o outro importava. Tomei conhecimento da rotina da casa de meu filho. Sua felicidade me importava, logo, meus olhos caíram e Ahleena que estava gravida e na insistente e perigosa presença do  escravo sempre a seus pés. Nada contra, Seth , o Kajirus já pertenceu a Draco e foi dele que Ahleena o comprou. Mas ela agora não era uma mimada Lady de Ar e sim a Ubara de Ivar, do qual, esperava um herdeiro, e , aquela situação poderia gerar maledicência, abrir uma brecha para os inimigos do meu filho, e ate mesmo contestar a paternidade de seu futuro herdeiro. Era essencial manter Seth , afastado dela, longe de seus aposentos, pelo menos ate que meu neto fosse concebido, depois , ela poderia valer-se dele novamente.

Ivar entendeu a situação e concordou, já Ahleena , sentiu-se afrontada. Mimada como era, passou por cima das ordens de Ivar e voltou a requisitar o escravo em seu quarto. Oras, não foi difícil descobrir a pequena arte de Ahleena, já que eu mesma havia infiltrada uma escrava para servi-la de perto. Em consequência disso, Seth foi severamente açoitado por Ivar e dado a mim, para ser levado ao norte para ser vendido ou morto. Não negaria isso para o meu filho, ajuda-lo a livrar-se de um problema. Draco talvez não gostasse da ideia, mas depois com calma eu o convenceria.

Eu estava disposta a não abrir mão da convivência com meu filho e com meu futuro neto e para isso, minha missão tinha que ter êxito. Nas várias ocasiões em que estivemos junto abordei lenta e cuidadosamente o assunto. Ivar sabia, que havia algo mais por trás da surpreendente permissão de Draco em minha visita. Haviam magoas e cobranças guardadas por parte de ambos. Draco nunca perdoou Ivar, por ser ele mesmo, e Ivar, nunca perdoou o pai, por não aceita-lo como ele era. Eu sentia a dor dos dois, e via em ambos os lados as razões e os erros.  Mas Ivar estava suscetível e também decidido a poder ver a mãe e irmã quando quisesse. A idade o amadureceu, os valores familiares ficaram mais fortes, a saudade e a solidão por estar em uma terra que não era a dele talvez tenham pesado, o fato é que ele aceitou e o mais importante, me prometeu, ouvir o pai, sem arrogância e sem magoa.


E foi assim que na manha do quarto dia, a minha caravana retornava a Kazra, tendo Ivar e Ahleena a me acompanhar. Draco seria avó e seria avisado disso por ambos. O impacto dessa noticia, eu tinha certeza, mudaria tudo. Que trunfo maravilhoso os deuses me davam!



                                                               Lady Kalandra
                                                             High Jarl'Woman

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A Vergonha de Rive de Bois





        O Norte estava prestes a tornar-se um só. De Skerry of Var, até toda costa sul do Laurius. Kassau, Lydius, Cardonicus e Piedmont , haviam sido dobradas sob o peso dos machados Torvies. E Draco era o High Jarl, o grande Ubar de todo Norte. Eu o acompanhei nos campos, durante as batalhas, aguardando sob o seu colar, seu retorno seguro.  Cada Jarl de Torvaldslands o seguiu, trazendo seus comandantes, guerreiros, e armeiros. Uma legião de gigantes que ia a cada parada pilhando, matando e conquistando, realizando o sonho do Jarl em ter o Norte unido sob um único punho, o seu! Mas ainda faltava Rive de Bois, a última grande cidade na nascente do Laurius. Bastava ela para fechar a fronteira, a linha que delimitava os limites da grande Floresta do Norte.  Subimos o Laurius confiantes da vitória, uma massa de homens ferozes, confiantes , acostumados à vitória. Nada ficaria entre eles e a cidade.

        Mas Rive de Bois havia se preparado.  O inimigo havia sido observado e porque não dizer, espionado? Não era segredo dos intentos de Draco, a cada cidade que caia, deixava no povo de Rive de Bois a certeza que seriam os próximos. Eles nos esperavam com uma surpresa vinda dos céus. Uma batalha aérea para a qual não estávamos preparados. Thentis havia enviados reforços. Uma aliança fechada nas sombras da guerra para derrotar um inimigo comum. Como alcançar ferozes tarsman com machados e lanças, com flechas de arco curto? O que eram os gigantes, transformados em anões, pelas alturas? Perdemos , e cada Torvaldslander voltou com o gosto amargo da derrota aquele dia.

         Eu o esperava, pronta para entrar triunfante na cidade conquistada. Mas não havia lanças batendo contra escudo, horns não foram trocados, não havia a gritaria e agitação da vitória, apenas o pesado silencio, que eles carregavam nos rostos sujos de Sangue. Draco e seu exercito teriam que engolir aquela vergonha.

            Retornamos a Cardonicus, não havia o que fazer contra as fileiras aéreas de Tarsman. Ali, a liderança e o sonho de Draco começou a ser questionado por alguns Jarls cobiçosos, dos títulos e riquezas que Draco acumulara. A inveja e a ganancia flui nos homens como veneno no sangue. Mas só viríamos a saber disso depois. Por hora , a derrota , cegava e não nos permitia ver o inimigo mais próximo.

           Mas onde há adversidades, pode haver uma grande chance. E eu a vi, só precisava convencê-lo. E para alguém que acha que os deuses olham por ele, ser a voz dessas divindades, podia ser de grande valia.  Ele precisava de Tarsman para lutar aquela guerra de igual pra igual e quem sabe vence-la. Eu não ia permitir que ele desistisse. Primeiro que não o ajudaria em nada, voltar ao norte e sentar-se num trono onde ele amargaria aquele gosto para o resto da vida. Segundo que a derrota havia abalado a certeza de muitos jarls em seguir seu sonho, e por fim, em terceiro, era a chance de aproximar Draco de Ivar novamente. Como? E não tinha Ivar, muitos tarsman? Não era ele mesmo o melhor entre todos? Então eu menti. Disse que os deuses haviam falado comigo em sonho e apontado o caminho das areias, e que vi, a cidade cair , afogando-se nos sangue de Odin.

        Não me julgue por favor. Era necessário. Draco relutou em aceitar a ideia de pedir ajuda para o filho, mas a vontade de vencer , endossada p elos deuses, falou mais alto . E creio, que no seu intimido, ele também desejava rever o filho.  Só havia um único problema. Não podia ser ele a falar com o filho, ou pelos ânimos dos dois, uma guerra poderia surgir ali mesmo. Era fundamental que alguém intermediasse a aliança de pai e filho. Oras, quem melhor do que eu? É certo que a principio ele não concordou, mas depois, a razão falou mais alto.

      Você deve estar pensando que fui ardilosa e manipuladora, talvez, mas fui mãe. Era a única chance que se abria para a possibilidade de os unirem com um único objetivo, e tornar possível, pai e filho lutarem juntos, reforçaria os laços enfraquecidos pelos tempo e pela magoa.  Política, era também o principio que me regia. Eram dois homens difíceis, parecidos e com egos que precisavam ser amaciados. Por isso, Tobyr foi enviado na frente com presentes que eu mesma escolhi, o que causou certo ciúmes em Draco. Ordenei que um machado, digno dos deuses fosse feito para Ivar, ele precisava sentir-se respeitado em seu título e valor, mas, também não poderia perceber que o pai precisava dele, ou arrogância de Ivar colocaria tudo a perder. Teria tudo que parecer uma oportunidade para os dois, por ele ser digno aos olhos do pai e pelo pai reconhecer nele o valor , o respeito que Ivar sempre desejou, e para isso, quanto menos os dois falassem um com o outro seria melhor.  Eu sabia que o simples fato de ir ao encontro Ivar, seria visto por ele, como prova de que o pai estava cedendo e meu coração não via a hora de rever o meu filho.

                                                                            Lady   Kalandra
                                                                           High Jarl' Woman
                                                                             



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Reunião no Grande Salão



Estavam as duas diante do trono. Ambas tinham vindo na embarcação junto conosco. A primeira tinha o rosto altivo, o maxilar firme de quem traz muita força consigo, mas o olhar estava aflito. Eu podia ver o medo neles. O que ela temeria? Sempre há o que temer, quando se é mulher e se viaja sozinha. O cabelo negro estampava uma mecha tão branca quanto à neve nas montanhas. Mas ela era jovem e bonita.  Os trajes eram simples como os de uma camponesa e suas mãos se apertavam nervosamente, apesar de tentar transparecer calma eu podia sentir que em seu interior ela estava agitada como o mar em uma tempestade. Seu nome era Aer, uma healer, e acabava de prestar juramento de lealdade ao grande Jarl.

A outra estava em farrapos, cabelos desgrenhados, olhos inchados pelo choro e tinha as mãos amarradas. Era uma captura, adquirida de um ataque, mas ainda não tinha o colar. Apesar do estado, os modos e os gestos delicados e elegantes acusavam seu bom nascimento. Talvez filha de algum rico mercador do sul, o que poderia render um bom resgate, ou mesmo um preço mais elevado na venda como escrava. Draco as inqueria sobre quem eram e de onde vinham. Liane era o nome da segunda, e para espanto de todos, era filha de Cassius de Lydius, escriba na cidade que agora pertencia a Draco, estava sendo levada para o seu contrato em Rives-de-Bois quando sua embarcação foi ataca, e propunha ajudar o Jarl na conquista da cidade em troca de sua liberdade.

Um burburinho circulou o salão. Eu mesma não pude esconder minha surpresa. Draco ponderava sobre as alternativas. Como ela sabia de Rives-de-Bois?  Não era segredo ali dentro o próximo passo do Jarl na guerra, todos os livres tinham sido chamados e a reunião tinha essa finalidade também, acertarem os pontos para levantarem velas em direção à batalha. Rives –de – Bois tomada permitiria o controle total da floresta do norte e fecharia esse acesso para o norte. Logo os Jarls se manifestavam. Riam e pediam o colar para ela. A garota tentava manter a aparente coragem enquanto os protestos aumentavam no salão.

Foi à voz de Draco que silenciou o salão. Ele queria saber o quanto ela conhecia a cidade e se podia desenhar um mapa. Meus olhos foram na direção da outra mulher, Aer, que agora bebia do mead servido por Helga. Ela parecia aliviada com sua aceitação e entornava a bebida quase de um gole. Eu percebi o tremor de suas mãos enquanto ela sentava-se e focava sua atenção na cena que se desenrolava no salão. Eu tinha interesse nela.  Aer, a healer, dizia ter vivido entre o povo das areias. Se ela tinha estado no Tahari, talvez eu conseguisse alguma noticia de Ivar.

Liane gaguejou quando o mapa lhe foi pedido, percebi que ela buscava forças dentro de si para conseguir. Havia determinação naquela mulher. Apesar de ela garantir que poderia fazer o mapa, nem todos estavam convencidos da utilidade dela. Urgrim, um dos Jarls presente na sala, se opunha veementemente enquanto sua escrava Amora, parecia se estranhar com Helga. Ajuda de uma mulher para conseguir o que um homem deve conquistar pelo aço. Ele não era o único a ter essa opinião. O olhar de Draco cruzou o meu antes de informar Liane sobre a tomada de Lydius e dar seu veredicto.

Vi a garota vacilar e os olhos encherem-se de agua quando Draco falou da queda de Lydius. Ódio e dor foram o que pude ver no momento em que busquei os olhos dela.  O chão tinha sido tirado de seus pés.  Lydius pertencia ao inimigo, o destino do pai era incerto bem como o seu destino. Ela parecia prestes a desmaiar de tanta tensão, mas ainda se agarrava na esperança de conseguir sua liberdade ajudando os nortenhos.

Para Draco, a decisão já tinha sido tomada.  A mulher estava sob seus domínios, pertencia a ele. O colar por hora não seria colocado, como livre ela seria tratada e teria transito livre apenas dentro da vila, enquanto ele julgasse conveniente.  Caso ela tentasse fugir, poderia ser tomada por qualquer homem da vila, feita escrava ou mesma morta. Era a sua decisão final e foi eu mesma que a retirei daquele salão sob o pesado silencio que reinava nele. Ninguém ousaria ir contra as ordens do Jarl e ele deixava claro que tinha planos para ela. Tratei de providenciar trajes adequados à sua condição de livre e garantir que fosse alimentada.  

Algo naquelas duas mulheres me intrigava.  Quando ambas cruzaram o olhar, tive a vaga impressão de que já se conheciam.  E a healer, quando me olhava, era como se quisesse buscar algo na memoria. Teria ela já me visto? Saberia ela quem eu sou? Creio que ambas trazem seus segredos e que há muito mais sobre elas do que nos foi revelado no grande salão. Mas por hora, é na healer que esta meu interesse, talvez ela me de noticias de Ivar.  Devo encontrar uma maneira de me aproximar.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sessrumnir

A Partida


       Foram mãos e mãos de viagem, subindo o Laurius, serpenteando as margens das florestas do norte ate chegarmos ao nosso destino.  Eu estava na cabine de meu senhor quando ouvi o grito avisando que avistavam terra firme. Olhei pelas frestas tentando ver algo. Eu estava nua como era do desejo de Draco e me mantivera assim durante toda a viagem. Draco me manteve restrita aos seus aposentos, exigindo meu corpo e minhas curvas para o seu deleite. Quando se fazia necessário, eu deixava a cabine, vestida com trapos feitos de sacas de sa-tarna, emprestados de uma das escravas que partilhava o porão do navio. Eu era agora era uma escrava.                                       


          A partida de Lydius havia se dado em meio à noite. Draco não ousaria deixar Thassia sozinha naquela cidade que ocultava tantos inimigos à sombra. Deixei Lydius como a Jarl Woman, juntamente com minha filha e com algumas escravas embarcamos na serpente de Draco. Para o conhecimento de todos, o Hi Jarl, retornava à Tsiq-jula para deixar as mulheres em lugar seguro antes de partir para a guerra. 


      Foi antes de o navio aportar em Tsiq-Jula que a troca foi feita. Longe da vista e conhecimento de minha filha, fui despida e uma escrava tomou meu o lugar. Era Naala, uma jovem recém-adquirida, com estatura semelhante à minha e cabelos tão negros quanto o meu. O véu lhe cobria o rosto e os trajes de livre lhe conferiam a discrição necessária.  Minhas bagagens partiram com ela e me pergunto qual teria sido a reação de minha filha ao perceber o engodo. Sinto pena de Locke ao tentar responder às indagações de Thassia, mas tenho certeza ele não revelaria a verdade a ela. Ele cumpriria o prometido, informando apenas que a mãe partira para Ar a pedido de seu pai e caberia a ele, de agora em diante, mantê-la segura. Conhecendo o temperamento de minha filha, tenho certeza, não deve ter sido uma missão fácil. Assim, minha condição de escrava seria um segredo nosso e em nada afetaria a vida de Thassia ou a minha posteriormente.  No final daquela guerra seriam apenas o Hi Jarl e sua Jarl Woman retornando para casa. Era um plano perfeito, ou pelo menos imaginávamos que fosse.


Sessrumnir


       Ouvi a porta da cabine se abrir. Era Draco avisando que enfim tínhamos alcançado o nosso destino. Sessrumnir, um posto avançado nas florestas do norte, o primeiro ponto de partida para os ataques que os nortenhos pretendiam lançar para fechar qualquer acesso pelo Laurius ou pela floresta do norte. Vesti-me com os trapos que tinham me sido dados. Havia me esquecido o que era ser escrava, com o conforto e privilégios dispensados a uma lady, eu me vi desacostumada a trajes baratos, não fosse o estar junto dele com certeza não estaria satisfeita. Procurava não deixar que ele percebesse esses meus momentos de desconforto. Quis saber sobre o posto e o que me aguardava. Draco pacientemente me deixava a par. Segundo ele era um vilarejo seguro e protegido, onde passaríamos um tempo antes de levantar as velas.

           Alguns hábitos são difíceis de mudar. Ali entre as paredes da cabine, ele ainda me tinha como sua companheira. Mesmo o colar que meu pescoço ostentava, não conseguia afogar anos de uma vida em comum. Draco sempre foi um homem rigoroso e um mestre exigente, mesmo como sua companheira eu vivia sob a mais estrita disciplina e apesar da liberdade de minha posição, eu sempre soube o meu lugar.  Ali agora não era diferente. Mesmo rígido, meu senhor era generoso e só me cobrava à postura de escrava quando deixava a cabine. Ele não precisou me avisar, ou mesmo pautear as condições. Eu fui escrava tempo o suficiente para saber como devo me portar e não envergonha-lo. Mas foram muitos anos sem sentir o peso do colar, eu tinha que me adaptar.





           Eu percebia os olhos deles, verdes e profundo, indagadores, sempre buscando nos meus algum sinal de desagrado.  Eu sabia que em seu intimo, ele temia que eu desistisse da ideia, que não fosse feliz ou não me adaptasse novamente aquela vida.  Mas um mestre conhece sua escrava a fundo e Draco sabia me ler, nem que eu quisesse não conseguiria ocultar. Aprendi que certas coisas devem ser transparentes para que possam ser trabalhadas e a confiança deve ser plena, ou não há entrega completa.  E quando ele me perguntou o deixei saber que eu podia estar desacostumada, mas não arrependida, que para mim bastava estar com ele e que não me importava se era ao seu lado ou aos seus pés.

               Ali no convés, juntamente conosco eu pude ver a livre que tinha seguido viagem conosco, uma mulher que tinha sido capturada em uma das incursões de Draco pela floresta. Ele tinha a curiosidade em saber o que ela fazia naquelas terras, visto que ficava claro seu berço e sua origem no sul. Um phisycian e seu sobrinho também estavam em viagem conosco. Era um velho conhecido da mãe de Draco e com as recomendações dela, tinha o consentimento do Jarl do Norte para continuar suas pesquisas naquela região.




             Quando os portões do posto se abriram uma onde vozes em coro ovacionava a chegada do Grande Jarl. Os homens estavam no calor da batalha, era contagiante, a certeza que a guerra seria vencida e que todas as fronteiras do norte se fechariam tornando Torvaldslands soberana. Havia o orgulho estampado na face daqueles guerreiros e eu, me orgulhava dele. Descalça e presa à leash de Draco eu atravessei aquelas ruas. Mãos e braços tentavam toca-lo e a dificuldade de manter-me em seu encalço crescia. Os olhos dele me buscavam preocupados no meio da multidão que se formava. Eu o vi enrolar a corrente na mão e me puxar ate que meu corpo estivesse rente ao seu.  Pude notar a infinidade de olhos caírem em mim, tantos dos guerreiros que me observavam como uma bela peça a ser apreciada, quanto o olhar de algumas livres que o saudavam a uma distancia segura, todos avaliavam a escrava que tinha vindo com o Jarl.



              No grande salão destinado ao Jarl foi que pude respirar aliviada. Os gritos e burburinhos ficavam para trás. O fogo era estava aceso e logo passos vinham apressados saudar o senhor da casa. Eram as escravas do local, que me olhavam de soslaio enquanto reverenciavam o Jarl.  Previ problemas. Eu tinha me esquecido como o lugar de uma escrava é disputado. Eu era uma estranha ali. Elas eram as antigas da casa eu a novata que vinha com o Jarl e que deveria entender meu lugar.

          Entenda que existe uma competição, nem sempre velada, entre as escravas. Para elas, eu representava um possível obstáculo na conquista da preferencia do mestre. Provavelmente, na calada da noite ou em algum momento longe da vista do Jarl, eu levaria uma pequena surra para ficar ciente do meu lugar ali na casa e meus dias seriam um inferno ate que eu conquistasse o respeito de todas.  Existe uma hierarquia entre elas, geralmente definida pelo tempo de servidão na casa ou em decorrência da designação do Jarl.

          Draco como mestre era ciente dessa disputa interna. Os mestres em geral não se importam com isso, costumam se divertir com essa concorrência e não interferem, desde que, a garota não sofra danos maiores, é de crença geral que uma menina deve impor-se e lutar pelo seu lugar, isso a torna forte e digna. Mas o caso ali era um pouco diferente. Percebi que Draco não permitiria e tão pouco me relegaria a uma situação de humilhação ou risco, por menor que ele fosse. Draco tirou do cinto de mestre o seu chicote e o entregou a mim diante delas, deixando claro que ali, eu era a first e que a casa estava sob o meu comando.  Eu percebi o desagrado no olhar delas, mas sorriram e assentiram me dando as boas vindas. Provavelmente em seus íntimos indignavam-se com isso e pensavam em uma forma de lidar com a situação. Eu não era mais uma livre, mas o chicote me dava à vantagem, mesmo assim eu teria trabalho, deveria conquista-las e conseguir o respeito ou eu teria que dormir com os dois olhos abertos.


                                                                                             Kalandra - Slave Girl
                                                                                        Propriedade de Draco Hi Jarl 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O RECOMEÇO



O Se'var tinha passado e ele havia sido o mais rigoroso e solitário dentre todos. Frio  e tempestades de neve assolaram constantemente Tsirq-Jula. As águas congelaram formando brancos lagos de gelo, na costa, o gelo que se formava impedia os navios de chegarem e partirem e os portos se fecharam. As mulheres, crianças e velhos recolhiam-se   junto ao fogo de suas casas. Longe dali , os homens faziam a guerra.  Os dias transcorreram tortuosamente lentos. Eu tive a companhia de Thassia naqueles meses escuros, eramos apenas mulheres, como muitas, em volta do fogo. Draco pela primeira vez em anos não estava comigo. Foi solitário.

O En'var chegou e com o ele o degelo, a neve derreteu e abasteceu os rios e fontes e liberou o mar para a chegada de navios. Os portos de Tsirq-Jula novamente se abriam. Era uma espera constante pelo retorno dos homens. Entenda, ele partem com a chegada do En'var atrás de pilhagens e retornam para suas mulheres e famílias  no Se'var. Esse ano, durante o Se'var, não houve o riso alegre nas mesas do long, nem tão pouco o silencio das partidas de Kaissa, havia somente o estalar do fogo e a saudade que varria o coração de cada um. O En'var não era epoca de retorno dos barcos e todos se perguntavam se veríamos as velas negras dos Drakkars no horizonte.  A cada por do sol eu jovaga meu olhar na linha tênue que dividia o mar e o céu na esperança de avistar as serpentes de Draco. Me perguntava se o ressentimento que havia partido com ele, tinha  dissipado. Dele eu só tinha noticias que chegavam aos pedaços, cantadas por algum skald ou sussurradas  aos ouvidos de alguma bond durante a embriagues com mead. Eu exigia saber de cada uma das historias que  contavam sobre o Tarsk Negro. De como ele andava trazendo para si os aliados, de como ele enganou e roubou a filha de uma das maiores casas mercantes de Tyros e envergonhou o próprio Ubar daquelas terras  deixando seu sobrinho sem a pretendente. Foi com isso que passei meu inverno, apenas com histórias contadas.

Naquela noite, junto ao fogo do meu salão, Tobyr me deixava a par das novidades. Draco era vitorioso, aclamado e a guerra era eminente, a capital do seu novo império devia ser transferida para Lydius bem como toda a sua família , seus comandante e jarl de alto posto. E foi assim que eu deixei Tsirq- Jula, minha casa por mais de trinta anos.



Já estive em Lydius antes, mas dessa vez a cidade me parecia mais estranha do que nunca. Eu vi os olhares desconfiados daquela gente. Havia animosidade. Aquela gente,  outrora um povo livre agora eram dominados por Torvaldslanders. Nâo me senti a vontade. Haviam guardas pelas ruas vigiando e controlando. Imaginei quantas sombras deviam agora espreitar os becos e vielas, sussurrando e conspirando, definitivamente não me sentia segura ali.

Acomodaram-me no que seria minha nova casa. As escravas mais antigas tinham vindo comigo e algumas  recentes capturas de Draco eram trazidas para me servir. Tentei transformar aquele lugar de pedra em meu novo lar. Thássia era a mais empolgada, divisava inúmeras possibilidades para seus estudos como Physycian, ficou encantada com  as novidades que surgiam em cada esquina, com a quantidade de produtos e ervas raras, vindas de todo canto de gor e  que podiam ser encontradas nos portos de Lydius . Para ela a cidade cheirava a liberdade e a civilidade, mas eu ainda não estava muito convencida disso.
Eu ainda não tinha encontrado Draco. Ele ainda não havia retornado com suas serpentes. Já se passavam duas mãos que eu aguardava seu retorno para o que seria o nosso novo lar.

Foi no meio da manha que os horns tocaram. Era o som mais doce que meu coração podia ouvir. Fiz como sempre fazia, desci em correria  as ruas daquela cidade em direção ao porto. Atrás de mim, uma leva de guerreiros desorientados e furiosos. Nâo me importava se ali não era Tsirq-Jula, se os guardas tinham ordens de manter-me segura, não importava quem eu era. Corri abrindo  passagem entre mercadores, homens suados e sujos, disputando espaço com as escravas das docas e bonds saudosas de seus Jarls, ignorando o olhar de  mulheres livres que recuavam o passo indignadas , me misturando as crianças que se apinhavam para ver os navios. E quando o vi, foi como se o tempo tivesse parado e o Se'var jamais tivesse existido.








Eu tinha o rosto iluminado pelo maior dos sorrisos quando adentramos o que seria nosso novo salão. A barba cobria  o bonito rosto do meu companheiro. Estava sujo , castigado pelo mar e pela viagem, corri os olhos e as mãos por seu corpo atrás de indícios que garantisse que ele estava bem. Ordenei às escravas que levassem paga, comida e preparassem a água do banho de meu senhor. No quarto ele me dava a noticia. Dois dias era o que poderia ficar antes de seguir os planos. Dois dias!!! Era muito pouco. Tentei dissuadi-lo, implorei para que adiasse a partida. Mas os homens estavam no calor da guerra, haviam dezenas de Jarls que haviam abandonado suas vilas e o seguido. Guerra, sangue dos inimigos, todos ansiavam por isso e ele não poderia prende-los ali por capricho de sua mulher. Tive vontade de gritar o quão injusto isso era, que para mim ele não precisava ser o Jarl dos Jarl, que não tinha que ser o Senhor do Norte e sim apenas meu homem e que eu já tinha passado um Se'var inteiro esperando por ele. Que todos voltassem as suas vilas e suas mulheres que deixassem a guerra,todos seriam mais  felizes! Mas são argumentos vagos nos ouvidos de um guerreiro. Ele me tomou sentindo toda  minha dor. Vi em seus olhos que aquilo também não o agradava.

Deixei minha impotência ser acalentada por seus braços, minhas lagrimas enxutas por seus beijos e meu corpo aquecido por ele. Ele me consolava enquanto me despia, enquanto tomava meu seio entre caricias de suas mãos , enquanto varria minha intimidade com seus toques arrancando de mim suspiros, gemidos, exigindo a minha entrega. Havia um modo, ele me dizia enquanto me exigia inteira. Uma ideia que ele vinha amadurecendo a meses. Também não o agradava a distancia, mas como levar com ele a Jarl Woman? Não. Não se pode levar uma mulher livre a guerra, mas uma escrava.... Aquilo me deixou confusa, mas minha mente rodava , arrebatada pelo prazer que ele me dava. Me possuía , encaixando-se dentro de mim com fúria e urgência. Ele não  me queria longe dos seus olhos, ele me queria ao seu lado, cuidando dele, aquecendo seu corpo cada vez que voltasse das batalhas. Ele me  manteria segura em seu colar.

Colar?!?! Como era antes, no principio? Escrava? Fiquei confusa e tentada devo admitir. Não era uma questão de prezar a posição que eu tinha ao seu lado como Jarl Woman, não , isso nunca importou para mim. Mas sim o que aquilo implicava. Eu tinha meus filhos e foi neles que pensei, na vergonha de ter a mãe feita escrava novamente, na perda do direito de ser mãe, mas estar com ele como no inicio me seduzia. Ele insistia na ideia. Seria pelo tempo da guerra,  ele não sabia quanto tempo teria que estar longe em guerra e dessa forma, me teria ao seu lado, depois, ele me prometia, retornaríamos a Tsirq -Jula, o colar seria arrancado, teriamos  mais filhos e todo o resto da vida para nós. E foi assim, tendo ele entre minhas pernas com os meus sentidos roubados pelo prazer que eu aceitei

- Sim.,- gemendo eu gritei. - Eu aceito o seu colar!


                                          Lady Kalandra de Draco de  Tsirq - Jula
                                                         Hy Jarl Woman